São Paulo, 26 (AE) - Os metalúrgicos da Ford Ipiranga acamparam hoje na calçada em frente ao prédio do Ministério da Fazenda, na avenida Prestes Maia, em São Paulo. A polícia cercou o prédio, que ficou fechado para o público a partir de 15h. Mesmo na rua, eles decidiram permanecer no local até quinta-feira, data da edição da medida provisória que concederá incentivos fiscais de R$ 180 milhões, por ano, até 2010 para a Ford se instalar na Bahia, além de financiamento de R$ 700 milhões por parte do BNDES. A fábrica do Ipiranga, que produz caminhões, vai fechar no final do ano e os 1,5 mil funcionários provavelmente perderão seus empregos.
A manifestação no Ministério da Fazenda começou com 300 pessoas, que foram ao local em sete ônibus, segundo cálculo da Polícia Militar.
Os metalúrgicos chegaram às 15h e já encontraram o prédio com as portas de aço cerradas e cercadas por 60 policiais. Os trabalhadores decidiram que 50 manifestantes permanecerão a noite toda no local. Amanhã (27), outro grupo será escalado para manter o acampamento, mesmo que o saguão continue fechado. Os empregados cobriram a calçada de colchões e instalaram três barracas. O trânsito foi liberado.
Portando bandeiras da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, os trabalhadores reivindicavam que a MP da Ford tenha uma cláusula social, ou seja, de garantia de emprego aos atuais funcionários durante os 10 anos que durar o incentivo fiscal, e proíba a montadora de fechar qualquer uma das suas antigas unidades.
O movimento dos metalúrgicos começou de manhã, com uma assembléia que decidiu pela continuidade da greve, iniciada quinta-feira. No período de paralisação, a Ford já deixou de fabricar mais de 500 caminhões e picapes.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, participou da assembléia e anunciou para quarta-feira (28) greve nas empresas de autopeças, que serão, segundo ele, prejudicadas pelo fechamento da fábrica. Para Paulinho, o governo federal terá de negociar a MP da Ford com o movimento sindical e explicar exatamente o que foi negociado com a montadora, já que não se sabe o que mais foi prometido, além da redução do IPI e do empréstimo do BNDES. "A sociedade não sabe o que está acontecendo na Bahia", cobrou o sindicalista, lembrando que é dinheiro público de todos os Estados que está em jogo.
Segundo o secretário geral do sindicato, Eleno José Bezerra, os sindicalistas estão procurando os senadores para apoiar a luta dos metalúrgicos. Amanhã (27), eles têm audiência com o governador Mário Covas.
Estão tentando ainda falar com o presidente da Câmara, Michel Temer. Em São Bernardo do Campo, amanhã (27) haverá assembléia de solidariedade na outra unidade da Ford. A fábrica do ABC produz automóveis e também as versões que dão conta da transferência dessa produção para outro lugar.

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