Curitiba - Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. A paralisação atinge cerca de 5,8 mil funcionários, contratados pelo Ministério da Educação (MEC), e que trabalham na universidade e no Hospital de Clínicas (HC). Na segunda-feira, a partir das 10 horas, os servidores reúnem-se novamente em assembléia, no Restaurante Universitário (RU) da UFPR, para definir como será o movimento.
Segundo o diretor-geral do HC, Giovanni Loddo, uma paralisação teria efeitos desastrosos para o hospital. ''Principalmente por causa do perfil dos nossos pacientes, já que o HC é o único hospital de porte na região que atende pelo SUS'', disse. Por tratar-se de serviço essencial, a legislação prevê que, mesmo com greve, seja mantida 30% da mão de obra. Ou seja, dos 2,4 mil funcionários no HC, pelo menos 720 devem trabalhar. O hospital conta ainda com mais 1,2 mil funcionários contratados pela Fundação da UFPR (Funpar), que seguem outro acordo salarial e não estão no movimento.
''Esses 30% podem funcionar em uma fábrica de automóveis, mas não em um hospital'', diz Loddo. Segundo ele, a greve terá que ser administrada no dia a dia. ''Nossa ação terá que ser pontual, analisando cada momento a área que precisar de reforço'', explica. O HC faz em média 2,4 mil consultas por dia, mantém cerca de 430 pacientes internados e realiza cerca de 50 cirurgias diariamente.
O reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira, teme que a greve acabe afetando o calendário de aulas. Depois de vários anos com calendário escolar diferenciado em função de greves anteriores, este ano a universidade conseguiu normalizar seu cronograma. Mesmo temendo os efeitos da paralisação, os dois reconhecem a situação do funcionalimso, cujos salários estão defasados por oito anos sem reajuste salarial.
A greve tem caráter nacional e foi decidida no último final de semana em Plenária Nacional da Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Universidades Brasileiras (Fasubra) e reiterada, em assembléia realizada anteontem pelos servidores do Paraná. A categoria quer que o governo federal cumpra o Termo de Compromisso assinado com a Fasubra no início de junho.
O Sindicato dos Trabalhadores em Instituições de Ensino Superior (Sinditest) no Paraná afirma que a perda salarial da categoria chega a 127%. Pelo acordo entre governo e Fasubra, eles receberiam 32% a partir de julho. O governo também tinha se comprometido a enviar projeto de lei à Câmara dos Deputados regulamentando o plano de carreira dos servidores. Como o projeto ainda não foi enviado, a categoria acredita que não há mais tempo hábil para que o assunto seja decidido antes do recesso parlamentar.

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