São Paulo, 26 (AE) - Dezenas de funcionários das unidades da Fundação do Bem Estar do Menor (Febem) instaladas no chamado Quadrilátero do Tatuapé negaram-se na manhã de hoje a entrar para trabalhar. Em frente ao portão principal, na Avenida Celso Garcia, realizaram uma manifestação contra a demissão de 10 funcionários - seis monitores, três coordenadores noturnos e um auxiliar de serviço. Aos gritos, diziam que se as demissões não fossem revistas fariam greve de fome.
À tarde, a situação normalizou-se. Todos voltaram a trabalhar. Antes, o presidente da Febem, Eduardo Roberto Domingues da Silva, reuniu-se com as lideranças. Esclareceu que não se tratava de nenhuma demissão em massa, mas a substituição de funcionários que "não se adaptaram ao serviço." Garantiu que era uma medida de rotina e que todos os direitos trabalhistas serão pagos normalmente. A Febem possui quatro mil funcionários e, por isso, apresenta uma grande rotatividade, com uma média de 30 demissões ou pedidos de remanejamentos por mês.
Após as rebeliões dos dias 4 e 5 deste mês, quando cerca de 600 internos destruiram as unidades 12, 13 e 14, permitindo a fuga de 116 menores infratores, o presidente da Febem substituiu oito diretores. "Os cargos são de confiança e nós precisamos mudar a filosofia de atendimento", justificou Silva.
Na ocasião, alguns menores se queixaram ao padre Júlio Lancelloti que a rebelião começou porque alguns monitores chutaram as bandejas de comida na hora do almoço, revoltados com a tentativa de fuga de alguns internos. "Nós somos obrigados a substituir funcionários que não correspondem à expectativa, que apresentam um comportamento inadequado, sob o risco de sermos chamados de relapsos", explicou o presidente da Febem.

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