Curitiba - Três funcionários da empresa de manufaturados de madeira Arautel, em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros de Cascavel), afirmaram que foram alvo de tiros disparados por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) ontem de manhã, na localidade conhecida por Campo Novo. O carro em que eles estavam também teria sido atingido, segundo o diretor de Recursos Humanos da empresa, Alberto Rodolfo Pius.
Segundo Pius, em outra localidade próxima, conhecida como Erva, cerca de 30 sem-terra cortaram árvores em uma extensão de dois quilômetros e as usaram para interromper o acesso à empresa. ‘‘Eles alegaram que queriam chamar a atenção do governo para os problemas deles’’, relatou. As árvores foram retiradas no início da tarde.
Haveria cerca de 40 sem-terra em Campo Novo. ‘‘Três funcionários foram fazer levantamento da área quando foram recebidos a bala’’, afirmou Pius. Segundo ele, os manifestantes fazem parte de um acampamento de 800 famílias que estão há dois anos em três áreas de propriedade da Arautel (Erva, Bacia e Cachoeira). ‘‘Solicitamos reforços policiais e que o governo estadual cumpra o mandato de reintegração de posse da área’’, disse Pius. ‘‘Temos 1,5 mil pessoas trabalhando na empresa que estão sob um clima tenso’’, acrescentou.
Um dos coordenadores do MST no Estado, Laurici Leal, disse que não sabia de nenhum incidente com armas por parte dos integrantes do movimento. ‘‘O que acontece é que na Arautel há vários pistoleiros e nós já denunciamos isso’’, afirmou. Segundo ele, os sem-terra foram colher milho que estava em um terreno ao lado do acampamento. ‘‘Eles avisaram para o pessoal da empresa não plantar porque iriam perder, porque agora aquilo ali é área deles, e até porque eles não tem lugar próprio para cultivar alimentos’’, acrescentou.

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