Funcionários da Embraer iniciam negociação salarial e ameaçam com greve
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 23 (AE) - Os funcionários da Embraer estão sem motivos para comemorar o título de empresa do ano. Essa é a opinião do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que anuncia a possibilidade de uma paralisação total da linha de produção caso as negociações abertas hoje fracassem. Os 6,6 empregados da ex-estatal estão em estado de greve há 15 dias e pedem um aumento salarial de 9% e a antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). "O descontentamento dos trabalhadores é muito grande", comenta o diretor sindical, Marco Antonio Ribeiro.
A recuperação econômica da Embraer reativou o sindicalismo combativo, que foi praticamente esquecido quando a empresa naufragava numa crise sem precedentes em sua história, no início dos anos 90. A volta das grandes somas no caixa e dos títulos são vistos com otimismo pelos sindicalistas, porém também servem para aumentar o nível de exigência nas discussões envolvendo questões trabalhistas. "Sob o ponto de vista social a empresa não merece nenhum destes títulos", afirmou Ribeiro.
A privatização garantiu períodos de relativa tranquilidade entre o sindicato e a Embraer. A última paralisação do setor produtivo aconteceu em julho de 1996. Os funcionários cruzaram os braços por 24 horas em protesto pela falta de pagamento da PLR. Depois disto houve apenas algumas passeatas e uma pequena suspensão dos serviços na semana passada
por 30 minutos, no setor de trens de pouso. "Não queremos chegar ao ponto de parar a empresa, isto só acontecerá se a direção da Embraer mantiver sua postura radical", confessa o sindicalista.
O secretário de Desenvolvimento econômico do município, Ednardo de Paula Santos, comemorou com entusiasmo o título dado à Embraer. Ele acredita que além de melhorar a imagem da cidade tanto no País como no estrangeiro, isto repercutirá de forma positiva sobre os fornecedores nacionais da companhia. "Só pode não repercutir bem para essas pessoas que estão permanentemente de mal com a vida", criticou a postura dos sindicalistas.
Segundo o secretário, o crescimento da empresa está gerando um novo ciclo de otimismo em São José dos Campos. Ele toma como exemplo os números da Embraer no auge da crise, quando passou por um saneamento econômico-financeiro para ser leiloada, e os atuais. Os pedidos em carteira que somavam US$ 729 milhões na época da privatização, atualmente superam os US$ 11 bilhões.
O quadro funcional também voltou a crescer e tornou-se mais competitivo. No biênio 97/98 o número de empregados saltou de 4,5 mil para 6,7 mil, num aumento de 50% do efetivo. Um avião que na época da privatização demorava 14 meses para ser fabricado passou a ser feito em seis meses. A produtividade por empregado saiu de US$ 40 mil, em 1994, para 227 mil no ano passado. "Temos que nos orgulhar deste momento da Embraer", afirmou Santos.


