São José dos Campos, SP, 26 (AE) - A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) enfrentou hoje uma paralisação de advertência em sua linha de produção, minutos antes do presidente da companhia, Maurício Botelho, comunicar aos trabalhadores sobre a negociação de 20% das ações com o consórcio francês. Os funcionários do 1º turno suspenderam as atividades fabris por duas horas, das 6 às 8 horas, e participaram de uma assembléia promovida pelo sindicato dos metalúrgicos. A categoria está em campanha salarial e ameaça parar a fábrica até o final do mês caso a direção da empresa deixe de negociar diretamente com seus representantes. A Embraer negou-se a comentar o assunto.
A pauta de reivindicações foi entregue no mês passado à direção da empresa, mas não houve qualquer pronunciamento a respeito. O sindicato promete uma ação drástica caso a Embraer insista em manter as negociações salariais atreladas ao grupo 10 da Fiesp. Segundo o diretor sindical, Edmir Marcolino da Silva, a categoria pede reposição da inflação em 10%, aumento real de 10%, redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, piso de R$ 870,00, devolução de 10% do salário descontado em 1996 e manutenção das cláusulas sociais do último acordo. " Queremos ainda a equiparação salarial do novos contratados", afirma.
A Embraer tem atualmente 7,4 mil empregados e vive o melhor momento de sua história. O sindicato espera conseguir traduzir isto em novos benefícios para os trabalhadores. Segundo o sindicalista Edmir da Silva, a empresa sempre negociou os acordos coletivos diretamente com o sindicato, mas neste ano tem insistido em levar as conversações para dentro da Fiesp. Isto é rejeitado pelo fato de a Embraer se encontrar dentro do grupo de empresas sem organização sindical patronal, o que a colocaria entre empresas de pequeno porte e médio porte. " Temos cláusulas específicas que não podem ser perdidas neste processo", observou o diretor sindical.
As greves pipocas podem ser detonadas a qualquer momento nas próximas semanas. As paralisações por tempo indeterminado estão programadas para ocorrer a partir de novembro, período da data-base da categoria. O sindicato programa paradas de produção nos turnos da manhã e noite, além de atingir a Embraer Divisão e Equipamentos. O presidente da companhia, Maurício Botelho, recebeu hoje dos sindicalistas um pedido de reunião para explicar a nova composição acionária da Embraer. " Se forem sucatear a empresa e diminuir os postos de trabalho nós vamos para tudo na fábrica", ameaçou Edmir da Silva.

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