Londrina - Os trabalhadores da MM Consultoria, Construções e Serviços, que são responsáveis pela coleta de lixo em Londrina, decidiram ontem entrar em greve por tempo indeterminado. As assembleias realizadas em frente da sede da empresa deliberaram pela paralisação e houve unanimidade. Eles rejeitaram a proposta de reajuste de 6,57% no vencimento que, hoje, é de R$ 865. Os trabalhadores querem um reajuste de 20% nos salários, além de aumento de 30% nos valores do tíquete refeição.
A direção da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que gerencia o sistema, esteve reunida com representantes do sindicato dos trabalhadores ontem à tarde. Ficou acordado que o índice de 10% de reajuste aos trabalhadores será inserido na licitação do lixo, que deve ser apresentada nos próximos dias.
O presidente da Federação dos Trabalhadores das Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Paraná (Feaconspar), Manassés Oliveira, entendeu que houve avanço. "Saímos daquele patamar pífio. Agora já tivemos um avanço de reajuste real de 3,43%." Porém, ele reforça que Londrina foi a única cidade em que o patamar de reajuste ficou abaixo da média obtida no Estado, que foi de 15%. "O trabalhador espera 12 meses por esse reajuste e quando chega a data-base deles para repor a inflação a empresa oferece uma proposta dessas. Isso é reflexo dos sucessivos contratos emergenciais, que têm achatado o salário da categoria na cidade", ressaltou.
O juiz da 5ª Vara do Trabalho, Manoel Vinícius Oliveira Branco, acatou pedido de interdito proibitório e determinou que as partes negociem a questão. A Feaconspar e o Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação (Siemaco) têm cinco dias para se manifestar.
"A categoria entende que não deve recuar e não vai prestigiar as classes A, B ou C, que cobram a retomada do serviço. Hospitais, clínicas e laboratórios têm coleta própria e os trabalhadores não vão recuar até a empresa se manifestar positivamente", defendeu.
Os funcionários já foram comunicados que receberão o aviso prévio no próximo dia 3, já que não há garantias de continuidade do serviço, uma vez que a administração municipal anunciou a licitação da coleta do lixo. "Eles alegam que terão muitas despesas com o pagamento das rescisões, já que muitos possuem férias vencidas, 13º salário proporcional e multa de 40% para cada trabalhador, que eu calculo que ficarão em R$ 5 mil por pessoa", destacou.
O coletor Vander Leocádio calcula que percorre 62 km por dia correndo para coletar o lixo. "Com esse salário a gente gasta de acordo com o que a gente ganha, mas o que mais fica comprometido com essa defasagem no reajuste é a alimentação. Nós precisamos comer bem para poder aguentar o serviço", lamentou.
Rotina mais do que conhecida pelo trabalhador Aloísio da Silva, de 62 anos, que atua há 30 anos na coleta de lixo em Londrina. "A greve é justa. Nós sempre temos que buscar o melhor para a gente", relatou.
O responsável técnico da MM, Raimundo Paiva, afirmou que depois que os trabalhadores decidiram pela greve, a empresa chamou os coletores para uma reunião, mas eles teriam se recusado a manter 30% dos funcionários na coleta. "Não tem nenhum caminhão circulando na rua. Os únicos dois que estão fora daqui estão em manutenção", relatou.
Segundo Paiva, atualmente a empresa mantém 17 caminhões, dos quais 15 ficam na rua e dois ficam disponíveis para eventuais emergências. Ele afirmou que atualmente gasta entre R$ 300 mil e R$ 400 mil por mês com a manutenção dos veículos, que percorrem cerca de 7 mil km por dia. Atualmente a empresa recebe R$ 1,1 milhão por mês.
Ele destacou que a proximidade do fim do contrato pode resultar em aumento das despesas com as rescisões trabalhistas e que, por isso, não haveria como melhorar a proposta.

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