Funcionários da Centronic protestam contra hostilidade
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terça-feira, 20 de maio de 2008
Rosiane Correia de Freitas<BR>Equipe Folha 
Curitiba- Um grupo de funcionários da Centronic participou ontem de um encontro com a imprensa para reclamar do tratamento que a mídia tem dado à empresa no caso Bruno. Segundo o vigilante Apolinário Sabino, que falou em nome dos colegas, diversos empregados foram alvo de agressões físicas e verbais desde a morte do estudante. Bruno foi assassinado por três vigilantes da Centronic depois de ser pego supostamente pichando o muro de uma clínica no bairro Alto da XV, em Curitiba. A Justiça negou habeas-corpus para os três.
''Quinhentos pais de família não podem ser punidos por um crime que não cometeram'', defendeu Sabino. ''Cabe somente à Justiça julgar e condenar os envolvidos no crime'', declarou. Sabino também afirmou que a imprensa tinha objetivos obscuros ao divulgar o caso. ''Por causa de três colocaram que outros 500 matam'', apontou, numa referência às pichações que surgiram nas ruas próximas à sede da empresa logo após a divulgação de detalhes do crime.
O vigilante informou que seus colegas se sentem ''pressionados de todos os lados''. Atualmente a Centronic tenta reverter uma decisão Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP) que cassou a autorização de funcionamento da empresa. Caso a medida seja mantida, cerca de 600 funcionários serão demitidos.
Sabino também informou que pelo menos um vigilante da Centronic teria sido agredido por torcedores do Coritiba. Bruno era membro da Império Alviverde, torcida organizada do clube. ''Não comento boatos. Se os funcionários da empresa sofreram agressões que apresentem provas e registrem queixa na polícia'', respondeu o presidente da Império, Luiz Fernando Corrêa. ''O que é fato é que Bruno foi torturado barbaramente na sede da Centronic e depois assassinado a sangue-frio'', completou.
Para Sabino, os funcionários da empresa estão sendo vítimas de um apartheid e são obrigados e esconder o local onde trabalham. ''Porque nós temos que andar de farda. É esse o regulamento. Mas isso nos expõe a hostilidade da população'', relatou. Ao fim da entrevista, crianças distribuíram rosas brancas para os profissionais da imprensa que estavam no local enquanto alguns funcionários da Centronic seguravam cartazes com trechos da constituição federal.


