Brasília, 4 (AE) - Na CPI do Sistema Financeiro, a sessão de hoje à tarde contará com os depoimentos de mais dois funcionários do Banco Central. Serão ouvidos os procuradores do BC Manoel Loyola e Francisco José Siqueira. A sessão de hoje deverá ser aberta à imprensa, assim como aconteceu ontem, quando os senadores da CPI desistiram da fazer uma reunião sigilosa para tomar os depoimentos da chefe do Departamento de Fiscalização do BC, Tereza Cristina Grossi, da ex-chefe do Departamento de Reservas Internacionais do banco, Maria do Socorro Carvalho, e do funcionário do Departamento de Fiscalização do BC Vânio Aguiar.
Os senadores, que ontem ouviram dos funcionários a confirmação de que o Banco Central negociou com a própria Bolsa de Mercadorias & Futuros os termos da carta que a BM&F enviaria ao BC pedindo uma intervenção no mercado financeiro, deverão insistir hoje em um ponto: a autenticidade da própria carta enviada ao Banco Central.
Suspeita sobre a autenticidade da carta foi levantada pelo senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), que estranhou o fato de o documento estar assinado pelo então superintendente da BM&F, Dorival Rodrigues Alves, já que as tratativas do BC, segundo os depoimentos de Maria do Socorro Carvalho e Tereza Cristina Grossi, foram feitas com o diretor de Operações da BM&F
Paulo Garbato, e com o então superintendente de Liquidação e Custódia, Edemir Pinto. A suspeita de Saturnino está no fato de que Rodrigues Alves estava doente e internado, no dia 11 de janeiro, vindo a falecer dois meses depois. Outro ponto em que os senadores da CPI deverão insistir na sessão de hoje é a versão de que um dos procuradores que estarão prestando depoimento teria sugerido ao BC a liquidação extrajudicial do Banco Marka, mas não foi atendido, porque a diretoria do BC alegava que havia risco de "crise sistêmica" no mercado.

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