Funcionários da Araupel cobram reintegração de área
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terça-feira, 24 de novembro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local
Curitiba - Pouco mais de 1,2 mil funcionários da Araupel se reuniram ontem, em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba, para cobrar do governo estadual a reintegração de posse de uma área de reflorestamento e beneficiamento de madeira em Quedas do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná. A propriedade está ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) desde julho do ano passado.
Segundo os manifestantes, eles estão sem trabalhar desde o último dia 5 porque os maquinários foram retidos na área ocupada pelo movimento e, sem as toras, a linha de produção não tem matéria-prima para beneficiar. De acordo com a empresa, os prejuízos com a ocupação que se estende por mais de um ano já passam de R$ 22 milhões.
No total, ainda segundo a empresa, são 1,2 mil trabalhadores paralisados. Para pressionar o Executivo, os trabalhadores levaram vários tratores, caminhões e maquinários até a capital, e também participaram da sessão de ontem da Assembleia Legislativa (AL), pedindo apoio dos parlamentares para resolver a questão.
De acordo com o diretor financeiro da Araupel, Tarso Giacometi, o clima na região está muito tenso com a situação. "Estamos enfrentando uma verdadeira situação de guerrilha, e até aqui verificamos uma ausência do Estado", criticou.
"Queremos que o governo tome um posicionamento em cumprimento à reintegração de posse que já foi concedida pela Justiça", destacou Claudir dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Madeira e do Mobiliário de Quedas do Iguaçu e Região. "O medo dos trabalhadores de perderem seus empregos é iminente", completou.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por outro lado, defende que a área em questão (de cerca de 10 mil hectares) - que faz parte da propriedade Rio das Cobras -, pertence à União e foi apropriada indevidamente pela empresa. Para tanto, o órgão entrou com duas ações judiciais pedindo nulidade dos títulos das terras que a empresa possui. As ações correm na Justiça Federal em Cascavel e uma delas teve sentença contra a empresa. A Araupel, no entanto, recorreu da decisão.
Enquanto a briga jurídica ainda segue, diversos protestos vêm ocorrendo na cidade, tanto por parte de pessoas ligadas à empresa quanto dos trabalhadores sem-terra. Já foram desapropriados na região, para efeito de reforma agrária, mais de 51.290 hectares, dando origem aos assentamentos Celso Furtado, Marcos Freire e Ireno Alves. A Araupel ainda tem 33 mil hectares de área própria, sendo 15 mil de área reflorestada e o restante coberto por mata nativa. No caso dos sem-terra, eles querem assentar mais 3,4 mil famílias que seguem acampadas.
A reportagem entrou em contato com o MST para repercutir o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento da edição
Apesar da cobrança dos trabalhadores, não será desta vez que a reintegração de posse vai ocorrer. Depois de uma reunião com representantes das entidades que cobram uma solução, o governador Beto Richa anunciou que vai reforçar o policiamento na região de Quedas do Iguaçu, "para garantir que a empresa Araupel possa ter acesso à matéria-prima para manter sua indústria funcionando". Richa ainda ressaltou que também irá a Brasília buscar apoio federal para resolver a questão.
O chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, lembrou que o Paraná já solicitou apoio da Força Nacional de Segurança ao Ministério da Justiça e ainda aguarda um posicionamento da pasta.