Curitiba - Pouco mais de 1,2 mil funcionários da Araupel se reuniram ontem, em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba, para cobrar do governo estadual a reintegração de posse de uma área de reflorestamento e beneficiamento de madeira em Quedas do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná. A propriedade está ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) desde julho do ano passado.
Segundo os manifestantes, eles estão sem trabalhar desde o último dia 5 porque os maquinários foram retidos na área ocupada pelo movimento e, sem as toras, a linha de produção não tem matéria-prima para beneficiar. De acordo com a empresa, os prejuízos com a ocupação que se estende por mais de um ano já passam de R$ 22 milhões.
No total, ainda segundo a empresa, são 1,2 mil trabalhadores paralisados. Para pressionar o Executivo, os trabalhadores levaram vários tratores, caminhões e maquinários até a capital, e também participaram da sessão de ontem da Assembleia Legislativa (AL), pedindo apoio dos parlamentares para resolver a questão.

Funcionários da Araupel cobram reintegração de área
Funcionários da Araupel cobram reintegração de área Funcionários da Araupel cobram reintegração de área Funcionários da Araupel cobram reintegração de área Funcionários da Araupel cobram reintegração de área Funcionários da Araupel cobram reintegração de área


De acordo com o diretor financeiro da Araupel, Tarso Giacometi, o clima na região está muito tenso com a situação. "Estamos enfrentando uma verdadeira situação de guerrilha, e até aqui verificamos uma ausência do Estado", criticou.
"Queremos que o governo tome um posicionamento em cumprimento à reintegração de posse que já foi concedida pela Justiça", destacou Claudir dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Madeira e do Mobiliário de Quedas do Iguaçu e Região. "O medo dos trabalhadores de perderem seus empregos é iminente", completou.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por outro lado, defende que a área em questão (de cerca de 10 mil hectares) - que faz parte da propriedade Rio das Cobras -, pertence à União e foi apropriada indevidamente pela empresa. Para tanto, o órgão entrou com duas ações judiciais pedindo nulidade dos títulos das terras que a empresa possui. As ações correm na Justiça Federal em Cascavel e uma delas teve sentença contra a empresa. A Araupel, no entanto, recorreu da decisão.
Enquanto a briga jurídica ainda segue, diversos protestos vêm ocorrendo na cidade, tanto por parte de pessoas ligadas à empresa quanto dos trabalhadores sem-terra. Já foram desapropriados na região, para efeito de reforma agrária, mais de 51.290 hectares, dando origem aos assentamentos Celso Furtado, Marcos Freire e Ireno Alves. A Araupel ainda tem 33 mil hectares de área própria, sendo 15 mil de área reflorestada e o restante coberto por mata nativa. No caso dos sem-terra, eles querem assentar mais 3,4 mil famílias que seguem acampadas.
A reportagem entrou em contato com o MST para repercutir o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento da edição

GOVERNO

Apesar da cobrança dos trabalhadores, não será desta vez que a reintegração de posse vai ocorrer. Depois de uma reunião com representantes das entidades que cobram uma solução, o governador Beto Richa anunciou que vai reforçar o policiamento na região de Quedas do Iguaçu, "para garantir que a empresa Araupel possa ter acesso à matéria-prima para manter sua indústria funcionando". Richa ainda ressaltou que também irá a Brasília buscar apoio federal para resolver a questão.
O chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, lembrou que o Paraná já solicitou apoio da Força Nacional de Segurança ao Ministério da Justiça e ainda aguarda um posicionamento da pasta.

mockup