Funcionários da AR-Mooca são indiciados por concussão
São Paulo, 10 (AE) - O chefe do setor de Apreensão da Administração Regional da Mooca, Aércio Bastos Pinheiro, e agente vistor Valdir aparecido Lastoria foram indiciados hoje por crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público), pelo delegado Naief Saad Neto, da força-tarefa que investiga denúncias de corrupção nas administrações regionais e em outras repartições públicas municipais.
Pinheiro e Lastoria foram reconhecidos por dois vendedores ambulantes como os fiscais que recolhiam dinheiro dos camêlos da Rua Tuiuti e das imediações do Shopping Tatuapé sob a ameaça de recolher suas barracas se não pagassem.
De acordo com as denúncias, os dois cobravam R$ 120,00, à vista, de cada um dos ambulantes por mês. Quem não tinha dinheiro para pagar mensalmente, tinha de recolher R$ 60,00 por semana, dobrando o valor da propina. Pinheiro e Lastoria negaram as acusações e afirmaram estar sendo vítimas de perseguição dos ambulantes.
Saad Neto ouviu ainda os agentes vistores Ricardo Sousa Bastos
Antonio Fratic Bacic, Herotides Ribeiro Rocha Filho, José Silva Filho e Valdir Fernandes, acusados de cobrar propina dos camelôs. Os cinco, no entanto, não foram reconhecidos pelos vendedores ambulantes denunciantes.
À tarde, o delegado Saad Neto realizou uma busca e apreensão nos setores de Serviços, Uso e Ocupação do Solo e de Apreensões, mais conhecido como rapa, da Administração regional da Mooca. O delegado chegou às 17h ao prédio da regional e saiu uma hora e meia depois, carregando duas caixas com planilhas de varrição de ruas da empresa Cavo, relação das multas aplicadas no setor de Uso e Ocupação do Solo e Termos de Permissão de Uso (TPU), que eram concedidos a ambulantes, no período de 97 a 98. Também esteve no setor de Recursos Humanos, onde pediu a lista de funcionários desde há dois anos.
Nesse período, o administrador regional era Arlindo Afonso Alves, indicado na administração do ex-prefeito Paulo Maluf pelo então vereador e hoje deputado federal José Índio. Alves ocupou o cargo de 18 de fevereiro de 93 a 6 de janeiro de 99, quando foi exonerado acusado de praticar irregularidades. Hoje, Alves presta serviço a diretoria da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb).
Ele foi substituído na regional por José Augusto Fernandes Gomes, que era supervisor de Uso e Ocupação de Solo na regional da Lapa. Dias depois foi indiciado e preso temporariamente sob acusação de corrupção juntamente com o vereador José Izar. Gomes ficou no cargo apenas cinco dias.





