São Paulo, 10 (AE) - Os empregados da fábrica da Antarctica de Getúlio Vargas (RS), uma das ameaçadas de fechamento após a fusão com a Brahma, fundaram neste fim de semana uma cooperativa com o objetivo de tocar a produção na empresa, mesmo após a criação da AmBev. Eles contam com o cumprimento de promessa da empresa de discutir a concessão de uma marca de cerveja para os empregados, ainda não definida. E ainda com compromisso assumido no ano passado pelo BNDES de estudar linha de crédito para que os empregados assumam a linha de produção.
Sábado os funcionários da fábrica de Estrela criarão também sua própria cooperativa e, domingo, os de Montenegro - as duas unidades também são no Rio Grande do Sul. As informações são do presidente da Confederação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da Central Única dos Trabalhadores (Contac-CUT), Siderlei Oliveira. Segundo ele, as fábricas nessas localidades são antigas e tecnologicamente ultrapassadas e, assim, o movimento sindical dá como certo seu fechamento.
Oliveira participou hoje de reunião com o co-presidente da AmBev e diretor-geral da Antarctica, Victório Carlos Demarchi. O executivo reafirmou a intenção da companhia de negociar com funcionários a concessão de uma marca de cerveja, das 26 que hoje fabrica, mas não adiantou qual seria. Sobre a demissão de 97 funcionários da fábrica de São Paulo e 18 de unidades no Rio Grande do Sul, efetuadas na última semana de dezembro e na primeira deste mês, Demarchi não voltou atrás.
Segundo ele, o enxugamento se deveu a reestruturação, e não à fusão das empresas. "Mesmo assim, ele nos deu a garantia de que não haverá mais demissões", afirmou Oliveira. A trégua durará até que o Conselho de Administração e Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, julgue a fusão das cervejarias. A Antarctica confirmou que não haverá mais demissões.
O Cade, ao tomar conhecimento das demissões, por meio de notificação dos sindicalistas, chegou a ameaçar a empresa de multa. O presidente do Cade, Gesner Oliveira, disse na sexta-feira que se a Antarctica não conseguisse provar que as demissões estavam desvinculadas da fusão, poderia receber uma multa diária de 100 mil ufirs. A reunião de hoje, contudo, acalmou os ânimos de sindicalistas da CUT.
Oliveira afirmou que a central planeja criar pelo menos nove cooperativas em locais onde houver fechamento de fábricas da Brahma ou da Antarctica, se houver concordância dos empregados. Pretende ainda buscar apoios de governos estaduais e municipais, por exemplo, na forma de incentivos fiscais, para tornar viável o funcionamento das cooperativas. Em princípio, disse o sindicalista, 14 das 30 fábricas deverão ser desativadas pela AmBev.
Além das unidades gaúchas, correriam grande risco de desativação as plantas de Cuiabá (MT), Salvador (BA) e Manaus (AM). A companhia não confirmou essa informação, já que ainda não teria definido como será a estrutura da nova empresa.