Funcionários antigos contam suas histórias
Quem conhece a Universidade Estadual de Londrina (UEL), sabe que é impossível pensar na instituição sem lembrar dos campos gramados e das inúmeras árvores que garantem o clima fresco no local. Durante quase 30 anos, o responsável pelos cuidados com os jardins da UEL era João Luiz Sperandio. O jardineiro, que tem 78 anos, trabalha na instituição desde o dia 14 de fevereiro de 1969 e mesmo após a aposentadoria não se afasta da universidade, continua desenvolvendo um trabalho junto à Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops).
Sperandio lembra que quando começou a trabalhar na UEL o campus era formado apenas por cafezais e perobas. ''O reitor me deixou fazer o que quisesse. Comecei com grama e flamboiants no Centro de Ciências Biológicas'', diz. Ele afirma que são várias as espécies de árvores pelo campus. ''Plantei cerca de cinco mil mudas de perobas, várias delas estão na mata que fica atrás do Centro de Estudos Sociais Aplicados. Também temos pau-brasil, leucenas e diversas frutíferas para os passarinhos, antigamente havia muitos papagaios nesta região'', afirma.
Entre as árvores exóticas ele destaca cinco pés de carvalho. ''É uma relíqua'', afirma, lembrando das azaléias que durante muitos anos enfeitaram a universidade. ''Muita gente gostava de vir aqui para ver a florada. Agora o pessoal da jardinagem está retomando com elas'', diz.
Uma lembrança que o deixa triste remete ao ano de 1982, quando um vendaval arrancou 28 perobas que estavam plantadas no campus. ''Todo mundo ficou doido, eu fiquei desesperado e não sabia o que fazer diante daquele cenário'', lembra. O jardineiro conta que não tem idéia do total de árvores que foram plantadas pelo campus durante estes anos.
Apesar de Sperandio não ser mais o responsável pelos cuidados com as plantas, ele garante que está sempre acompanhando o trabalho da nova equipe. ''Esta herança ninguém me tira, tenho muito orgulho do resultado final deste jardim'', comenta. Orgulho ele também sente quando fala dos cinco filhos, todos formados pela UEL. ''Quando olho para eles penso que todo o esforço do meu trabalho foi recompensado. A universidade faz parte da minha vida e eu sei que valeu a pena'', finaliza.
A sensação de gradidão para com a universidade também está presente no depoimento do professor Joaquim Carvalho da Silva, 77 anos, que leciona no curso de Letras. Em 1960 ele entrou como aluno do curso de letras da Faculdade de Filosofia. Com a criação da UEL o curso passou a fazer parte da grade da universidade. Joaquim afirma que só ficou longe da instituição durante três meses. ''Foi o período entre a minha formatura e o concurso para professor'', conta.
Para ele, em 40 anos mudou tudo na UEL. ''Antes vínhamos para cá por um carreador, passávamos pelo meio da lama e muitos alunos e professores ficavam atolados'', relembra. Quando a instituição completou 25 anos, Joaquim lançou um livro e ele justifica a obra de maneira simples: ''Eu gosto da UEL. Tenho um colega que diz que a história de Londrina deveria ser dividida entre antes e depois da UEL'', diz. (M.A)





