Funcionário nega ter matado pacientes
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Agência Estado 
O auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, de 42 anos, negou ontem, em depoimento ao juiz do 3º Tribunal de Justiça do Rio, Mário Guimarães, ter matado quatro pacientes Hospital Salgado Filho, no Rio. No começo da semana Guimarães foi denunciado por homicídio triplamente qualificado pelo Ministério Público por quatro mortes.
Apesar de confessar os assassinatos em muitas entrevistas à imprensa, Guimarães disse ao juiz ter apanhado da polícia para confessar os crimes. Levei dois socos na barriga para assumir essas mortes, disse o auxiliar de enfermagem, referindo-se ao dia 7 deste mês, quando foi preso por três policiais civis, no Hospital Salgado Filho, no Méier, na zona norte. Guimarães estava sendo investigado pela polícia havia três meses, após a direção do hospital estranhar o número exagerado de óbitos nos seus plantões.
Guimarães afirmou que, ao assumir o serviço na emergência no dia 7, constatou que as pacientes Maria Aparecida e Francisca Teresa Coutinho de Oliveira estavam com problemas respiratórios. Ele disse ter chamado o médico de plantão, identificado como Carlos Eduardo, que verificou os dois óbitos.
Depois, contou o auxiliar de enfermagem, encontrou o tubo traquial do paciente Matias Gomes entupido. Ele também disse ter chamado uma médica do plantão, chamada Ana Lotero, que teria trocado o tubo. O auxiliar acrescentou que soube da morte de Gomes por colegas. Guimarães ressaltou que não visitou a paciente Márcia Garnier Pereira, portanto desconheceria as causas de sua morte.
Contradição Ao falar sobre a máfia das funerárias, no Salgado Filho, o auxiliar de enfermagem se contradisse. No início do interrogatório Guimarães negou envolvimento com funcionários de funerárias, mas em seguida lembrou que tinha um amigo do dono da funerária Novo Rio, Almir Medeiros, que indicava a família de pessoas mortas. Ele garantiu que nada recebia de Medeiros pela indicação.
Pelo menos 300 pessoas, entre funcionários e pacientes, participaram ontem pela manhã de um ato no Hospital Salgado Filho. Eles fizeram uma cerimônia ecumênica na unidade e depois deram um abraço no prédio. Segundo o diretor do hospital, Flávio Adolfo Silveira, o objetivo da manifestação é resgatar a imagem de credibilidade do Salgado Filho e prestar apoio ao funcionários, que ficaram abalados com o escândalo.


