O funcionário da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) de São Paulo Renato Caramujo Feitosa morreu e dezenas de pessoas ficaram feridas ontem, durante uma rebelião na unidade 30, em Franco da Rocha, Grande São Paulo. Outro funcionário da Febem, Flávio José Araújo, também foi baleado no abdome durante o conflito. A unidade tem hoje 320 internos, segundo a Assessoria de Imprensa.
Segundo parentes de internos, o motim teria sido motivado por um espancamento de menores pelos funcionários, na quinta-feira. O incidente começou quando, às 11h20, três homens armados entraram no local durante o período de visitas, para resgatar menores. Eles dominaram os funcionários e mandaram os parentes dos garotos saírem. Alguns funcionários conseguiram escapar e avisar a polícia. Na confusão, pelo menos 12 internos fugiram, usando carros estacionados diante da unidade.
A rebelião foi dominada no fim da tarde, quando dois helicópteros Águia da Polícia Militar pousaram no teto da unidade e quatro homens da Tropa de Choque desceram armados de fuzis com balas de borracha.
Tânia Aparecida de Souza, irmã de F.P., mais conhecido como ‘‘Bator钒, afirmou que ele não estava liderando a rebelião, como foi divulgado pela polícia. De acordo com Tânia, ‘‘Bator钒 está desde quinta-feira numa cela, isolado dos demais menores. Ela ressaltou que o irmão teria sido espancado e alertou os parentes para que pedissem ajuda a uma entidade de direitos humanos sobre o que estava ocorrendo na unidade. ‘‘Tudo que acontece falam que é ele’’, denunciou Tânia.
Durante o motim, os menores levantavam colchões em que estavam escritas mensagens como ‘‘Paz’’ e ameaças como ‘‘Choque entra, morre refém’’. Os internos também exibiam como armas serrotes, furadeiras e pedaços de ferro. Eles também puseram fogo em colchões e espancaram alguns funcionários. Dois dos agredidos pelos menores fugiram pulando do teto da unidade.

mockup