O auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, de 52 anos, foi indiciado ontem pelas mortes das ex-pacientes Francisca Tereza Coutinho, de 69 anos, e Maria Aparecida Pereira Gomes, de 49, no Hospital Salgado Filho, no Rio. A delegada Marta Cavalliere concluiu ontem o inquérito que denuncia Izidoro por duplo homicídio qualificado. Estas são duas das cinco mortes que Guimarães confessou, embora seja acusado por 131 homicídios no mesmo hospital.
Hoje, a delegada vai abrir novo inquérito para investigar a venda de órgãos na unidade e o suposto envolvimento de funcionários nesse comércio. Além disso, Marta também vai apurar a existência da ‘‘máfia das funerárias’’, a fraude dos seguros e outras mortes praticadas por Guimarães, no Salgado Filho ‘‘Quero fazer um levantamento da atuação das funerárias no Salgado Filho e o aliciamento das famílias pelos papa-defuntos’’ revelou Marta, referindo-se aos depoimentos dados pela famílias de ex-pacientes da unidade. ‘‘A denúncia de fraudes de seguros também merecerá uma investigação rigorosa’’, disse. Ela explicou que recebeu informações de que funcionários do hospital localizam parentes de mortos em acidentes de trânsito e conseguem retirar o seguro de R$ 5 mil - valor que deveria ir para a família.
O inquérito que denúncia Guimarães pelas mortes de Francisca e Maria Aparecida foi entregue ontem à tarde ao juiz substituto do 3º Tribunal de Júri do Rio, Alexandre Abrahão. O procurador do Ministério Público (MP) Marcelo Rocha Monteiro, responsável pelo caso, também recebeu cópia do documento e deverá oferecer nos próximos dias denúncia contra Guimarães.
O interrogatório do auxiliar de enfermagem deverá ser marcado pelo juiz. Francisca e Marta morreram na Unidade de Pacientes Traumáticos (UPT) do Salgado Filho, no dia 7, quando Guimarães foi preso em flagrante, sob acusação de matar pacientes da unidade. De acordo com o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), elas foram vítimas de asfixia - um das modalidades de crimes praticadas e confessadas pelo auxiliar de enfermagem. Outra maneira escolhida pelo auxiliar era a aplicação de injeções de cloreto de potássio. Ontem pela manhã, Guimarães prestou o terceiro depoimento a Marta. Segundo a delegada, o auxiliar de enfermagem negou novamente fazer parte da ‘‘máfia das funerárias’’, que supostamente atuam no Salgado Filho e induzem os parentes de mortos a fazer os sepultamentos com funerárias conveniadas com a unidade. Ela também afirmou que Guimarães disse ter citado o nome de funcionários do hospital que estariam supostamente envolvidos nesse esquema apenas para exemplicar que não atuava sozinho.
A delegada acrescentou que, hoje, vai marcar uma reunião com os secretários estadual, Gilson Catarino, e municipal de Saúde, Raul Gazzola, para fazer um plano com o objetivo de apurar casos semelhantes ao do Salgado Filho, nos hospitais da rede pública e de instituições privadas. A Subcomissão Parlamentar Externa de Direitos Humanos, criada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, tomou ontem depoimento de duas famílias de mortos no Salgado Filho. Elas denunciaram que suspeitam da morte dos parentes no hospital, após o escândalo do caso envolvendo os funcionários da unidade.

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