Rio, 06 (AE) - O funcionário do Metrô do Rio Josemar Silva do Nascimento, de 38 anos, morreu no início da tarde de hoje depois de ser atropelado por trem. Ele foi atingido enquanto fazia uma vistoria em uma mureta perto da estação Vicente de Carvalho, linha 2, na zona norte. Nascimento trabalhava no setor de infra-estrutura e costumava fazer serviços de manutenção com o sistema ligado - o que, segundo a Opportrans, que tem a concessão do Metrô, é condizente com as normas de segurança utilizadas.
A companhia informou que Nascimento era muito experiente (tinha quinze anos de casa) e frequentemente fazia reparos nas instalações onde os trens trafegam sem que a eletricidade fosse cortada. Por volta das 10h30, quando foi atingido, ele estava no vão entre a via e a mureta da plataforma, vistoriando o interior do muro da estação.
Nascimento foi socorrido por funcionários do setor de operações da estação, que o levaram para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, também na zona norte. O funcionário foi submetido a uma cirurgia, mas morreu por volta das 13h30.
"Normal" - Por meio de sua assessoria, o Metrô informou que nunca houve morte de funcionários desde sua fundação, em 1979. A direção da Opportrans se declarou "surpresa" com o ocorrido porque o serviço que estava sendo feito por Nascimento é "perfeitamente normal" e "rotineiro".
O Metrô informou que o chefe de Nascimento, José Carlos Alves - responsável pela área de infra-estrutura da companhia - é presidente da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes (Cipa). Esse fato ratificaria, de acordo com o Metrô, o cuidado que a empresa tem com a segurança dos trabalhadores. Segundo o Metrô, a família de Nascimento terá "toda a assistência necessária".
Incidentes - A linha 2, onde aconteceu o incidente, vem apresentando problemas. Em dez dias, houve três problemas - dois deles neste trecho. No dia 27 de dezembro um defeito no freio fez um trem parar entre a estação Vicente de Carvalho e a de Irajá, interrompendo o tráfego no local.
Um dia depois, uma das composições teve um problema mecânico, interrompendo o tráfego na linha 2 por trinta minutos. Revoltados, passageiros forçaram a porta da composição e desceram do trem, que estava a dez metros da plataforma do Maracanã. Para evitar que alguém fosse eletrocutado, o sistema de energia dos trilhos foi desativado.
Na última terça-feira, uma queda de energia em uma subestação no centro provocou a paralisação, por mais de uma hora, em onze estações da linha 1. A sucessão de falhas levou a Agência Reguladora de Serviços Públicos (Asep) a advertir a Opportrans, cobrando medidas para evitar novos problemas.

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