Curitiba- O Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) prendeu ontem em Curitiba um funcionário do Detran-PR que vendia carteiras de motorista. Por enquanto a polícia apurou que Rinaldo José da Silva vendia habilitações da categoria E, que permite dirigir veículos de grande porte como caminhões e ônibus. Entretanto, como o crime era cometido por meio de alterações no sistema do órgão, Santos pode ter vendido carteiras de motorista de outras categorias, modificado multas de trânsito ou feito qualquer outro tipo de alteração nos cadastros dos motoristas. Foram presos também um homem que comprou uma carteira e um agenciador. A polícia acredita que pelo menos 500 habilitações foram vendidas por Santos.
O delegado-chefe do Cope, Miguel Stadler, contou que há algumas semanas o Detran-PR constatou que seu sistema estava sendo violando. A suspeita surgiu depois que funcionários notaram que aumentou o volume de expedição de segunda via de habilitações.
O golpe era dado da seguinte maneira: os motoristas tiravam a habilitação B, que é para dirigir automóvel, que é mais simples e mais barata. Depois faziam um boletim de ocorrência da perda da carteira e pediam a segunda via. Aí entrava Santos. Ele alterava o cadastro do motorista e colocava informações como se ele tivesse feito os exames e pagos as taxas da categoria E. Por isso a segunda via vinha como categoria E. Portanto o documento fornecido era oficial.
Santos está no Detran-PR desde 2003, mas alega que começou a cometer o crime este ano. Ele possui deficiência motora e por isso era contratado por meio de uma parceria com a Associação Paranaense de Reabilitação. A pena, caso condenado, é de dois a 12 anos. Santos recebia cerca de R$ 200 por carteira. Mas os agenciadores, seis descobertos até agora, cobravam entre R$ 400 e R$ 1,2 mil.
Dois motoristas que compraram as habilitações foram presos em flagrante e outros dois já foram indiciados. A polícia garante que chegará ao nome de todos os compradores. Por isso, Stadler recomenda que estas pessoas levem as carteiras espontaneamente a uma delegacia para responder o processo em liberdade. Os motoristas devem responder por crime de estelionato e falsidade ideológica, que prevê de um a cinco anos de dentenção. ''O dano maior não é o dinheiro que o Detran-PR deixou de arrecadar com as taxas, mas sim o fato de ter pessoas dirigindo veículos de grande porte, inclusive coletivos, sem passar pelo crivo do órgão'', afirmou o delegado.
Segundo o sistema de atendimento 0800 do Detran, para conseguir legalmente a carteira categoria E o motorista tem que pagar uma taxa de R$ 73,93 e fazer auto-escola. O curso custa em média R$ 250. O motorista tem que estar habilitado há no mínimo um ano na categoria C (caminhões pequenos e é preciso ter a categoria B para obtê-la) ou ter a categoria D (microônibus), não ter nenhuma pontuação por multas e ser maior de 21 anos.

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