Funcionário do Banespa será indiciado
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Erika Wandembruck<br>De Curitiba 
O delegado Evaristo Kuceki, da Polícia Federal (PF) de Paranaguá, no Litoral do Paraná, vai interrogar hoje de manhã e deve indiciar o escriturário Odinelson Honório, funcionário do Banespa daquela cidade, preso anteontem. Ele está sendo acusado de dar um golpe em empresas, que pode variar de R$ 1 milhão a R$ 4 milhões.
Honório está sendo indiciado por apropriação indébita e falsificação de documentos e, segundo o Código Penal, pode ser condenado a até oito anos de prisão. Conforme o delegado, o acusado contava com a ajuda do supervisor de caixa Adalberto Zara, que responderá processo em liberdade, e com um funcionário da empresa de despachos aduaneiros Sulamérica, que ainda não foi identificado. ''Espero que com o depoimento dele, entregue o comparsa'', disse Kuceki.
O golpe, que pode ter rendido mais de R$ 500 mil ao acusado - o que inclui uma casa em Paranaguá avaliada em R$ 200 mil, terrenos e apartamentos, carro e moto de luxo- era realizado pela simulação do pagamento de impostos.
Segundo o delegado, Honório se utilizava de uma máquina de autenticação do banco para emitir recibos. ''Ele enganava as empresas, forjando o pagamento dos impostos e depositava os cheques na conta do ''laranja'' José Luiz Pelegrin'', explicou o delegado. Pressionado pela Receita Federal, que descobriu o golpe, o ''laranja'' não teve outra alternativa, senão entregar o comparsa, completou.
O golpe lesou as empresas Roseli Barreto, N.S.J, Makenji, Sicmol e Nepers Papéis (de São Paulo e Santa Catarina). De 1997 a 1999, período de aplicação do golpe, foram movimentados mais de R$ 1 milhão na conta de Pelegrin. ''O ''laranja'' dava cheques em branco para o acusado, que comprava dólares ou depositava o valor na conta de uma tia'', explicou.
Honório disse ao delegado que usaria o passaporte com visto para os Estados Unidos e Austrália, encontrado na casa dele pela polícia, para visitar o filho que mora em uma cidade americana. ''A mulher dele afirmou que iriam fretar um avião. Ele ganha R$ 1,3 mil por mês, com esse salário não teria condições de levar este padrão de vida. Pedi à Justiça que confisque os bens dele'', contou o delegado.


