Na coluna da plataforma P-36 da Petrobras atingida por três explosões no último dia 15, não havia nenhum sensor para identificar vazamento de gás. Foi o que revelou ontem o responsável pela P-36 em terra, Claronildo Covas dos Santos, em depoimento à polícia.
Segundo o delegado de Macaé, Antonio Carlos Carvalho, Santos disse que a coluna era uma zona ‘‘não classificada’’. Ou seja, local onde não haveria gás, por isso a ausência de sensores.
Segundo o delegado, nem Santos nem os técnicos ouvidos ontem -os coordenadores da P-36, Hélio Menezes Galvão e Paulo Roberto Viana- souberam explicar a causa das explosões, que provavelmente ocorreram por causa da presença de gás.
Ao contrário do que indicavam os relatórios da P-36 nos três dias anteriores ao acidente que levou a plataforma para o fundo do mar, Santos disse que ela ‘‘não estava com nenhum problema que precisasse de parada (de produção)’’.
‘‘Eu, como gerente, e o pessoal embarcado tomaríamos a decisão de parar se fosse preciso’’, disse.
Carvalho afirmou que, com base no que já foi investigado, ainda não sabe dizer se era necessário interromper a produção. Disse que Santos sabia dos defeitos apontados nos relatórios.
O delegado disse ainda que, para ter certeza da necessidade da parada, precisa de novos documentos, como o projeto original e o da adaptação da P-36 -originalmente plataforma de perfuração-, além de ouvir mais pessoas e confrontar os depoimentos.
O gerente da unidade de Negócios da Petrobras no Rio, Cézar Pelagi, e o presidente da Marítima (empresa responsável pela adaptação da plataforma), German Efromovitch, devem ser ouvidos por Carvalho. A P-36 era subordinada à unidade carioca.
Por causa dos novos depoimentos, o delegado disse que a conclusão do inquérito será adiada em 60 ou 90 dias.
Em Vitória, o presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, disse que aguardará o fim do trabalho da empresa norueguesa DNV para tirar conclusões sobre o acidente.
Ele afirmou que todos os contratos da Petrobras com a Marítima foram auditados. As auditorias teriam concluído que não houve problemas de ordem técnica, porque toda a construção foi acompanhada por engenheiros da estatal e certificada por órgãos internacionais.

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