Funcionário diz que ato vale todo o sacrifício
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Flávio Mello 
Brasília, 25 (AE) - Funcionário público federal e filiado ao Sindicato dos Servidores Públicos (Sindsep) do Maranhão, Raimundo Diogo, de 32 anos, afirmou hoje que participar de um ato contra o governo federal, como a Marcha dos Cem Mil vale todo o sacríficio necessário porque "representa uma luta democrática para melhorar o Brasil".
Diogo coordenou mais de 150 maranhenses, a maioria filiada ao Sindsep. Do total da delegação, somente 15% eram desempregados e estudantes.
Depois de 36 horas de viagem entre São Luiz e Brasília, Diogo estava animado para a manifestação. "Quando a gente vem com um objetivo desses, sabemos que temos de encarar os sacrifícios e a satisfação supera tudo isso", justificou. Pergunta - Por que o sr. decidiu participar da Marcha dos Cem Mil? Raimundo Diogo - Para participar do protesto e manifestar o nosso descontentamento em relação às medidas adotadas em relação aos servidores públicos federais. A despesa tem de ser reduzida com propostas concretas e nos setores nos quais existem excesso de gastos, não no serviço público. Peregunta - E a Marcha dos Cem Mil? Diogo - Também participar da marcha, para exigir a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telebrás (Telecomunicações Brasileiras) e pedir que o presidente Fernando Henrique Cardoso seja processado por crime de responsabilidade. Pergunta - O sr. acha que com uma manifestação, mesmo que com eventuais cem 00 mil pessoas, o objetivo poderá ser alcançado? Diogo - Claro que sim! O Congresso não está mais preocupado com a reeleição do presidente, o índice de popularidade do governo federal despencou e os parlamentares, que agora estarão preocupados com a sucessão municipal de 2000 em suas cidades, talvez até instaurem a CPI. Pergunta - Então esta não é a "marcha dos sem-rumo"? Diogo - Sem rumo é o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que está trilhando o caminho inverso dos interesses da Nação.


