Funcionário de fazenda confirma disparos
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terça-feira, 15 de julho de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - Um funcionário da Fazenda Roma, de Uniflor (49 km de Maringá), confirmou em depoimento à polícia que disparou contra os sem-terra acampados nas margens da PR-463. O acampamento fica a poucos metros da entrada da Fazenda Pitanga na divisa com a Roma. No dia 3 deste mês, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram atacados por um grupo de pistoleiros. Um assentado militante ficou ferido com três tiros.
Segundo o delegado Valdir Adão Samparo, responsável pelo inquérito, o funcionário confirmou o uso de um revólver e uma carabina, ambos calibre 38. Ele argumentou porém, que só disparou em revide a um tiro que teria recebido no peito, mas cuja bala ficou presa na jaqueta de couro sem provocar ferimentos. Samparo disse que vai ouvir hoje mais um funcionário da fazenda para tentar descobrir quem utilizava uma escopeta 12. Foi este tipo de arma que atingiu o assentado.
O delegado informou ainda que ouviu o depoimento do assentado ferido que confirmou a direção dos tiros como sendo da Fazenda Roma. Samparo não disse quantos funcionários serão chamados na delegacia, mas confirmou que o último depoimento será do proprietário Roberto Tribulatto.
Uma semana após o conflito, a fazenda entregou para a polícia duas armas registradas. Em vistoria na Roma, a polícia localizou 59 cartuchos deflagrados. Todo o material foi encaminhado para a perícia, mas o laudo ainda não está pronto.
Samparo afirmou que a entrega espontânea das armas não vai impedir a polícia de fazer uma nova busca na fazenda. O dono da Pitanga, Antonio Carlos Granzoto foi ouvido no inquérito e negou participação no conflito porque havia conseguido o mandado de reintegração de posse e a promessa de cumprimento por parte do governo. A reintegração com mais de 250 policiais militares foi realizada no dia 4 deste mês, mas apenas mudou o acampamento da entrada da Pitanga para as margens da PR-463.
Lideranças do MST na região Noroeste disseram que o objetivo é consolidar o acampamento para pressionar o governo na liberação de terras. Os sem-terra já construíram 12 barracos e mantêm em sistema de revezamento pelo menos 80 pessoas acampadas, a maioria de cidades próximas de Uniflor.


