Agência Estado
e Agência Folha
Do Recife
O ajudante de domador José Valmir de Oliveira confirmou ontem em depoimento à polícia ter aberto a porta que permitiu o acesso dos leões à jaula montada no picadeiro do Circo Vostok. Oliveira, no entanto, negou ter executado a manobra no momento errado, como afirmou o domador Claudinei Pires da Rocha, ao ser interrogado. O menino José Miguel dos Santos Fonseca Júnior, de seis anos, foi atacado e morto por leões na noite de domingo, durante intervalo do espetáculo do circo em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife.
Segundo o ajudante, que trabalha há três anos no circo, a saída dos leões sempre ocorreu um minuto após a execução de determinada música, depois do intervalo. Ele disse que, no domingo passado, seguiu esse mesmo esquema. Oliveira não foi indiciado. Até ontem, apenas o domador havia sido acusado de homicídio culposo (sem intenção).
A abertura da porta de acesso aconteceu no momento em que um grupo de espectadores passava ao lado da jaula do picadeiro, após participar de uma sessão de fotos com pôneis, atrás do palco. Um dos leões avançou sobre José Miguel dos Santos Fonseca Jr., que estava acompanhado do pai, da irmã e de um primo. O garoto foi puxado para dentro da jaula e morto na presença de cerca de 3.000 pessoas.
O pai do menino, o garçom José Miguel dos Santos Fonseca, também depôs ontem. Ele confirmou que vai processar o circo. O dono do empreendimento, Alexandre Vostok, deve ser ouvido amanhã.
A família pretende requerer, na Justiça, uma pensão mensal por 64 anos e assistência psicológica imediata para os parentes mais próximos da criança. O tempo de pagamento da pensão equivale aos anos de vida que o garoto ainda teria.

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