São Paulo, 16 (AE) - O funcionário da Administração Regional da Sé Enio dos Santos disse hoje, em depoimento à polícia, que conhecia um esquema de pagamento de propinas no serviço de coleta de lixo na capital. Santos é supervisor de Serviços Públicos na AR-Sé, setor responsável pelo controle do lixo coletado na cidade pelas empresas permissionárias.
O esquema, segundo ele, envolveria a Vega, empresa responsável pela coleta na capital. Santos assumiu a Supervisão de Serviços Públicos este ano, na qual, reconhece, foi omisso quanto ao suposto esquema. Nesse período, ele deveria ter fiscalizado todo o serviço de coleta de lixo e varrição de ruas pessoalmente. Isso não foi feito, disse, porque enfrentou problemas pessoais.
No depoimento, ele afirmou que um dos interessados no eventual esquema era a Vega. O intermediário entre e a empresa e a Prefeitura seria o engenheiro e procurador da empresa, Carlos Ferreira Porto, que foi preso hoje. Porto levaria a propina para a AR-Sé e o dinheiro seria dividido entre o administrador regional e o deputado estadual Hanna Garib (sem partido). Negociação - Santos afirmou que havia uma negociação entre o regional e a Vega sobre o valor da propina. Disse que, em duas ocasiões, ouviu outro funcionário da Sé, Adão Luiz Castanheiro Martins, conversar com Porto, que teria dito já ter mandado os envelopes com dinheiro para o gabinete do ex-regional João Bento dos Santos Filho. Martins, que também foi preso, teria comentado ter recebido cerca de R$ 1 mil pelo serviço. Ele teria ido buscar pessoalmente o dinheiro da propina.
O serviço de medição do lixo, segundo Santos, poderia ser fraudado de diversas maneiras, como registrar um peso maior ou diminuir as equipes de varrição das ruas. Santos foi liberado, mas deve ser indiciado por prevaricação e formação de quadrilha. Porto e Martins podem ser indiciados por corrupção ativa ou concussão e formação de quadrilha. Até o começo da noite, Martins ainda depunha na Divisão de Capturas do Departamento Estadual de Investigações Patrimoniais (Depatri). Todos devem ter o sigilo bancário e fiscal quebrado. "Acredito que as empresas responsáveis pela coleta do lixo eram forçadas a participar do esquema", afirmou o delegado Romeu Tuma Júnior, que cuida das investigações. "Caso elas não se sujeitassem a isso, talvez não conseguissem prestar o serviço ao qual foram contratadas", completou o policial, fazendo uma alusão indireta à licitação do serviço de lixo.

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