Rio, 28 (AE) - O funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o "Telmo", foi preso hoje, depois de se apresentar à Justiça Federal. Principal suspeito do grampo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), "Telmo" prestou depoimento à juíza Cláudia Valéria Fernandes, da 2ª Vara Federal, e, logo após, foi levado à carceragem da Polícia Federal (PF). O advogado Carlos Kenigsberg apresentou um pedido de revogação da prisão, mas a juíza não o examinou. "Telmo" estava com prisão preventiva decretada desde o dia 16.
O depoimento do funcionário da Abin durou uma hora e meia. Segundo o procurador da República Artur Gueiros, "Telmo" apresentou à juíza uma texto no qual negava a participação no grampo. Em resposta a perguntas feitas pela juíza, ele limitou-se a negar as acusações do ex-policial federal Célio Arêas da Rocha. Ele admitiu, no entanto, que conhecia o ex-policial. "Muito pouco se acrescentou ao inquérito com esse depoimento", afirmou Gueiros. A partir de agora, o Ministério Público (MP) terá 15 dias para apresentar denúncia.
No depoimento, "Telmo" disse que conheceu Rocha há anos, mas foi reencontrá-lo em 1994, quando o ex-policial trabalhava na empresa do major Divany Carvalho Barros - a quem definiu como "amigo pessoal".
Na versão do agente, ele só voltou a falar com Rocha quando o ex-policial ligou para ele e contou que havia sido intimado pela PF para depor no caso do grampo. Ele disse que Rocha foi quem o apresentou ao técnico em eletrônica Nelsino Drozczak da Silva, no escritório de Barros.
"Telmo" contou à juíza que, no dia 14, Silva disse a ele que Rocha o havia informado de que tinha sido decretada a prisão do agente - o que, na verdade, só aconteceu no dia 16. Ele negou ainda ser amigo do coordenador da Abin no Rio, João Guilherme Maia.
O coordenador de Operações da Abin, Gerci Firmino da Silva, foi indiciado na semana passada no inquérito que investiga o grampo no BNDES por falso testemunho. No depoimento à polícia, em maio, Silva contou ter recebido um telefonema anônimo dizendo que havia "material de interesse" embaixo de um viaduto, em Brasília. Ele foi ao local e encontrou duas fitas com gravações de conversas no BNDES. A polícia constatou, no entanto, que o telefone pelo qual Silva afirma ter obtido a informação, não recebeu nenhuma ligação no dia e horário apresentados em juízo.
Barros foi ouvido hoje pela PF e negou qualquer participação no episódio. Segundo fontes ligadas à investigação, ele disse que não trabalhava com "Telmo". À reportagem, o major confirmou a versão de "Telmo". "Eu sou amigo do Telmo e ele frequentava quase que diariamente meu escritório", contou. "O Célio trabalhava lá e nos apresentou o Nelsino, que vendia equipamentos antigrampo."
Ainda hoje, o coordenador da Abin no Rio foi afastado. O advogado José Carlos Tórtima, que representa Maia, disse que a decisão era esperada. "A publicidade que ele ganhou com esse episódio é incompatível com a função que exerce", observou.
Para o advogado, o afastamento é resultado de uma disputa pelo controle da Abin entre o que chama de ala "da racionalidade", liderada por Maia, e a da linha dura da comunidade de informações. "A turma de rinocerontes quer voltar", afirmou.

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