Rio, 21 (AE) - O funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o "Telmo", acusado de ser o autor da escuta telefônica clandestina no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apresenta-se amanhã (22) à Justiça, segundo o advogado dele, Carlos Kenigsberg. Ele está com prisão preventiva decretada desde quinta-feira (16). "Eu o orientei a não se apresentar hoje (21) porque ainda estou estudando os fundamentos do pedido de prisão preventiva", disse Kenigsberg.
O advogado pretende requerer uma acareação entre o cliente e o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha, que acusa "Telmo" de ser o autor do grampo. "Acho ótima essa acareação", afirmou hoje o advogado de Rocha, Nélio Andrade. "Telmo pode ser surpreendido com novos fatos que Célio tenha esquecido de relatar anteriormente." Andrade, no entanto, acha pouco provável que o pedido de acareação seja acatado porque, segundo ele, não teria base jurídica."Telmo nunca foi ouvido", lembrou. "Portanto, não sabemos se as versões dos dois são divergentes." Fontes ligadas à investigação informaram hoje que outras pessoas deverão ser ouvidas nos próximos dias, mas não revelaram os nomes.
Segundo as mesmas fontes, foram cumpridos os mandados de busca e apreensão nas casas de "Telmo", e de duas pessoas que seriam sócias dele: o major reformado do Exército Divany Carvalho Barros e Nelsino Drozczak da Silva. O resultado da busca e apreensão, no entanto, não foi divulgado. De acordo com as fontes, caso "Telmo" não se apresente o mais rapidamente possível, serão necessários mais 30 dias para a conclusão do inquérito.

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