Funcionária do ministério diz que invasão de prédio poderia ser evitada
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segunda-feira, 27 de dezembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 27 (AE) - A invasão, por 50 famílias de sem-teto, de um prédio do Ministério da Saúde, no centro do Rio, poderia ter sido evitada. O edifício ocupado no sábado foi cedido à Justiça Federal em novembro de 1996 e desde então está abandonado. "Enviei ofícios em junho deste ano para a Justiça Federal, informando que o local era ocupado por mendigos e não tinha policiamento, mas nada foi feito", afirmou a representante do Ministério da Saúde no Rio, Ana Teresa Pereira. "É a crônica da invasão anunciada".
Ana Teresa contou que recebeu resposta da secretária-geral da Justiça, Maria Regina Rogério Consentino, um mês depois, informando que estava "reunindo esforços" para reformar o prédio. Outros ofícios foram enviados para a Delegacia de Patrimônio da União e para a Subsecretaria de Assuntos Administrativos do Ministério da Saúde. A assessoria da Justiça Federal informou que o prédio está muito deteriorado e não há verbas para a reforma. Ainda está em estudo que tipo de ação será impetrada para pedir a reintegração de posse.
Hoje à tarde houve um princípio de tumulto entre os ocupantes do prédio e homens do 13º Batalhão de Polícia Militar (Praça Tiradentes, Centro). Os policiais impediram, durante todo o dia, que os manifestantes recebessem água e comida. Eles alegaram obedecer a "ordens superiores" e confiscaram garrafas de água, que eram passadas clandestinamente por entre as grades. O advogado André de Paula, que defende os ocupantes, chegou a se atracar com os policiais.
A ordem foi revogada no fim da tarde e o comandante do batalhão, coronel Hélio Luiz Azevedo Neves, esteve no prédio para acompanhar a entrega dos alimentos. Ele negou ter mandado suspender a entrada de comida, mas não informou de quem partira a ordem. "Recebemos orientação nesse sentido", limitou-se a dizer.
Dezoito policiais estão de plantão permanente na porta do prédio, para impedir que outras pessoas o invadam. Aqueles que deixam o edifício também são proibidos de voltar. "Isso é cárcere privado", acusou o advogado André de Paula.
As 50 famílias que ocupam o prédio - onde estão desde crianças recém-nascidas a idosos - viviam sob marquises ou viadutos. A notícia da ocupação se espalhou entre os moradores de rua nas semanas que antecederam o Natal. Os novos moradores do edifício alegam que o prédio não tem "função social" há mais de cinco anos.


