Brasília, 10(AE) - Em depoimento que prestou na última quinta-feira à Polícia Federal sobre o eventual vazamento de informações por parte de funcionários do Banco Central ao mercado, a chefe da Procuradoria Jurídica do Banco Central responsável por assuntos da área Internacional e Dívida Ativa, Fátima Regina Máximo Martins, disse que, ao chegar ao BC, no dia 15 de janeiro deste ano, para uma reunião na sala da Diretoria de Política Monetária do BC para tratar das operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, encontrou no local o ministro da Fazenda, Pedro Malan, que estava observando telas de alguns terminais de microcomputadores ali instalados.
Ela disse ainda que, na mesma sala se encontravam, além de Malan, o então presidente do BC, Francisco Lopes; o então diretor da área Externa, Demosthenes Madureira de Pinho Neto; o subprocurador Francisco Siqueira; o consultor jurídico do BC, Manoel Loiola, e, também, o então secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. Ela disse que não ouviu nenhuma palavra proferida por Malan. Disse, também, que permaneceu na sala por 15 minutos e, nesse período, não ouviu nem Malan nem Bier dirigirem a palavra a nenhuma pessoa. Ainda segundo ela, Francisco Lopes permaneceu no local todo o tempo, enquanto Malan e Bier ficaram apenas dois ou três minutos após a entrada dela.
Segundo Fátima Martins, isto ocorreu entre 09 e 10 horas do dia 15 de janeiro. Em nenhum momento de seu depoimento, ela afirmou que Malan tinha conhecimento ou participou da decisão de socorrer os dois bancos. A funcionária do BC relatou também que, embora não tenha tratado das negociações nem tenha tomado conhecimento da operação até a manhã do dia 15, foi ela quem redigiu o voto da diretoria de nº 006/99, que deu respaldo à operação realiza da no dia anterior.
Ela informou, ainda, que, salvo engano, foram feitas três versões desse voto, cujas minutas foram encaminhadas por disquete a uma das diretorias do BC, mas ela disse não se lembrar mais de qual foi. Fátima Martins afirmou, no entanto, que a decisão superior já estava tomada antes de o voto ser formalizado e digitado.

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