São Paulo, 15 (AE) - A funcionária da Fabes Cely Farah, uma das coordenadoras da Operação Inverno, disse que o episódio registrado, por sua iniciativa, em boletim de ocorrência, não é o primeiro caso de exportação de mendigos de Santos para a capital. Há cerca de três meses, um outro morador de rua revelou a monitores da secretaria ter sido transferido, à força, da cidade da Baixada Santista para São Paulo. Apavorado, ele não quis nem ir para um albergue, quanto mais registrar o boletim numa delegacia.
"O homem gritava coisas como não me matem para os monitores quando eles chegaram para conversar", disse Cely. "Ele contou que foi ameaçado pelas pessoas que o tinham trazido
ameaçado para que não voltasse nunca mais para Santos". A funcionária da Fabes, que chefia uma equipe de monitores encarregada de fazer o contato, nas ruas, com os mendigos, oferecendo-lhes pernoite em albergues, disse que, naquela ocasião, o sem-teto também havia sido deixado na zona sul. Como o homem recusou ajuda, ela não conseguiu falar pessoalmente com ele. "Mas o que eu sei do caso tem por base informações de um motorista e três técnicos da secretaria".
Na noite de ontem, quando foi informada do que tinha ocorrido com Moreira, Cely encarregou-se de convencer o morador de rua a ir ao DP do Pari. Hoje pela manhã, pouco depois de chegar em casa - ela trabalha em esquema de rodízio, com turnos que se encerram às 6 horas -, Cely dizia-se aliviada. "Sempre ouvia falar de prefeituras que despejam pessoas em São Paulo", afirmou. "Desta vez, conseguimos fazer com que isso seja investigado pela polícia".

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