Rio, 15 (AE) - Uma funcionária da Sociedade Brasileira de Oftalmologia que dava plantão há cinco anos no Hospital Municipal Salgado Filho como responsável pela captação de córneas para transplante foi afastada do posto em março deste ano por estar envolvida com a "máfia das funerárias". De acordo com nota distribuída hoje pela Secretaria Municipal de Saúde, "a funcionária estaria envolvida com outras atividades como, por exemplo, o encaminhamento de familiares para funerárias".
Em conversa informal ontem (14) com deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, suspeito da morte de 131 pacientes no Salgado Filho, afirmou que havia no hospital uma funcionária do Banco de Olhos responsável pela captação de córneas. Ele negou, no entanto, que ouvesse comercialização de órgãos para transplante. No ano passado foram doadas 104 córneas no Salgado Filho, mas, de acordo com informações do Banco de Olhos, todas elas foram autorizadas pelas famílias. A funcionária foi afastada do posto a pedido do diretor da unidade, Flávio Adolpho Silveira.
As informações sobre a funcionária, ainda segundo a nota da secretaria, já foram encaminhadas para a delegada Marta Cavallieri, que inicia, na segunda-feira (17), inquérito para investigar a possibilidade de haver comércio de órgãos no hospital.
Isolamento - O auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães foi transferido para uma cela individual hoje pela manhã, como garantia de sua segurança. Guimarães denunciou ontem que vinha recebendo ameaças de morte por parte das funerárias para as quais trabalhava. A própria delegada encarregada do inquérito recebeu, no mesmo dia, um fax sem remetente, comunicando a polícia das ameaças. Guimarães estava preso em uma cela da carceragem da Polinter junto com outras 15 pessoas que não são aceitas pelos presos comuns, como estupradores e integrantes de grupo de extermínio.

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