Brasília - Pouco menos de um mês antes da posse do novo governo, os representantes dos funcionários públicos federais decidiram mandar um recado ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. A carta do 2º Encontro Nacional sobre Assuntos de Aposentadoria dos Servidores Públicos, divulgada ontem pela Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais (Cnesf), afirma que será mantida ''a resistência e luta dos últimos 12 anos''.
Os sindicalistas criticam a possibilidade de nivelamento das aposentadorias dos servidores públicos com a dos trabalhadores da iniciativa privada, que é estudada pela equipe de transição.
''As características dos serviços prestados são especiais e não podem ser medidos por um regime único de trabalho sob pena de prejudicar a população.'' ''Além disso, o nivelamento implicará em perdas de direitos.''
Em alusão à campanha eleitoral, a carta lembra da luta ''para eleição de um governo voltado para o social'' e manifesta a esperança dos representantes dos funcionários públicos ''no sentido de não ver suas expectativas frustradas, principalmente quanto ao cumprimento publicamente assumido com a construção de uma sociedade mais justa''. O encontro da Cnesf, entidade filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), ocorreu em Luziânia (GO).
O texto diz que, nos últimos anos, foi feita uma ''campanha de desqualificação dos servidores públicos'', que foram indevidamente acusados de responsáveis pelo déficit da Previdência. Os servidores pedem que sejam feita uma reforma previdenciária ''em que os direitos sociais não sejam reduzidos e sim simplificados'' pois nenhum modelo da Previdência Social pode ''estar baseado ou vinculado à lógica do capital e do mercado e nem mesmo do cálculo atuarial''.

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