Londrina e Curitiba – Um dia depois do histórico conflito em que cerca de 200 servidores foram agredidos pela Polícia Militar no Centro Cívico, em Curitiba, sindicatos que representam professores e funcionários técnico-administrativos das universidades e da rede estadual de ensino confirmaram que a greve e as paralisações definidas anteriormente em assembleias vão continuar. A APP-Sindicato, que reúne professores e profissionais das escolas estaduais, anunciou ontem que vai entrar com ações criminais contra o Estado em função das agressões. A recomendação do sindicato é que os docentes registrem um boletim de ocorrência e encaminhem para o departamento jurídico da entidade.
Os professores estaduais decidiram manter a greve iniciada na última segunda-feira até o dia 5 de maio, quando ocorre uma assembleia da categoria em Curitiba para decidir os rumos do movimento. De acordo com o diretor de comunicação da APP-Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues, a adesão dos professores à greve ontem chegou a 100%. "Hoje não conseguimos fazer o levantamento da adesão à paralisação porque estamos atendendo os feridos", disse.

UEL
Os docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizam assembleia da categoria na manhã da próxima segunda-feira para definir os rumos do movimento que paralisou as aulas nesta semana durante as votações do projeto de lei que altera a Paranaprevidência, aprovado pela Assembleia Legislativa. A diretora de comunicação do Sindiprol/Aduel, Silvia Alapanian, informou que a assembleia começa às 9 horas da manhã, no anfiteatro Pinicão, no campus da universidade. "Os últimos ônibus de professores deixaram Curitiba na manhã de hoje (ontem) e o sindicato não teve tempo para organizar a assembleia. Pelo menos até segunda-feira de manhã, as aulas continuam suspensas", afirmou.
Servidores e professores da UEL também registraram boletim de ocorrências, em Curitiba, contra as agressões dos policiais militares que utilizaram balas de borracha, bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta para dispersar os manifestantes que reivindicavam a entrada na Assembleia para acompanhar o debate e votação dos deputados sobre as alterações na Paranaprevidência. Os funcionários públicos foram liberados para realização de exames de corpo e delito no interior do Estado.
O diretor da Assuel, sindicato que representa os funcionários técnico-administrativos, Adão Brasilino, confirmou que a categoria não vai recuar apesar da aprovação do projeto de lei e manteve a decisão de greve dos servidores a partir de hoje no Hospital Universitário (HU) e no campus da UEL. "Apenas os serviços essenciais de urgência e emergência serão mantidos no HU e a população deve procurar outros hospitais. O Hospital das Clínicas (HC) fecha no feriado e reabre na segunda-feira, em greve", acrescentou.
Além disso, os diretores do Sindiprol/Aduel permaneceram ontem na capital para prestar assistência com apoio de advogados da OAB no caso dos quatro alunos detidos por policiais militares durante o tumulto em frente à Assembleia Legislativa. "Os estudantes foram liberados no início da madrugada e já estão em Londrina e passam bem. Mas, os celulares dos quatro universitários foram apreendidos e estamos solicitando a liberação dos aparelhos", informou Silvia. A FOLHA entrou em contato com o escritório do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), em Curitiba, e foi informada de que nenhuma das universidades estaduais em greve confirmou a realização de assembleias no final de semana para discutir o retorno das aulas.

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