Funcex sugere que reservas internacionais financiem exportações
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 09 (AE) - Diante da escassez de linhas externas de financiamento às exportações que podem reduzir a vantagem competitiva do real desvalorizado no mercado, o Banco Central deveria destinar US$ 6 bilhões das reservas internacionais para os depósitos interbancários externos dos bancos nacionais que seriam usados para operações de ACC (adiantamento de contrato de câmbio).
A sugestão é do vice-presidente da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), Roberto Gianetti da Fonseca, estimando que esta operação poderia gerar exportações de US$ 12 bilhões a US$ 18 bilhões em 99. "O governo precisa otimizar os benefícios da desvalorização do real", disse Gianetti da Fonseca, ponderando que o custo da mudança cambial é forte: ônus fiscal, endividamento das empresas com compromissos dolarizados e aumento do custo dos insumos importados.
A partir de abril, Gianetti da Fonseca prevê um crescimento entre 10% e 15% do volume das exportações, basicamente em função dos produtos agrícolas, em relação ao mesmo mês de 1998. São operações com dependência menor de operações de ACC, com pagamentos feitos no embarque.
Fator inibidor - Apesar do "câmbio atrativo", Gianetti da Fonseca disse que a redução de linhas de financiamento, desde a eclosão da crise russa em outubro passado, poderá ser um "fator inibidor" para as exportações brasileiras. "Hoje todos os exportadores, sejam os do setor de produção industrial ou das commodities, têm dependência do ACC para manter sua capacidade produtiva", afirmou, antevendo que algumas empresas poderão até mesmo paralisar sua produção diante da falta de capital de giro.
Até a redução dos financiamentos, o setor de comércio exterior estimava que as linhas do setor somavam cerca de US$ 40 bilhões (exportações e importações), que caíram para algo entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões. A partir da moratória de Minas Gerais e da desvalorização do real, considerada por Gianetti da Fonseca "desorganizada e abrupta", os bancos adotaram uma posição de cautela, já que o mercado perdeu o referencial da qualidade do risco.
Gianetti da Fonseca espera que o Banco Central tenha um trabalho de monitoramento do mercado que traga a redução da volatilidade. A partir de uma atuação desse tipo, a confiança do mercado externo no País poderia ser recuperada, o que melhoraria a credibilidade brasileira.


