Rio, 31 (AE) - A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) estima superávit da balança comercial brasileira de US$ 5,4 bilhões em 99. A meta de susperávit acertada entre o governo e o Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 11 bilhões. A projeção foi divulgada na edição de março do Boletim de Comércio Exterior da instituição, com análise de dados de fevereiro.
A fundação prevê redução de cerca de 15% nas importações. E aumento das exportações nos próximos meses, fechando o ano com crescimento em torno de 6,5%, ou US$ 54,4 bilhões. As projeções são baseadas no comportamento do comércio exterior nos primeiros dois meses do ano.
Exportações - O boletim levantou estatísticas de fevereiro que confirmaram o impacto positivo da desvalorização do real sobre o comércio exterior, mas os efeitos devem ser mais evidentes apenas a longo prazo. As exportações cresceram 10,9% em relação a janeiro último, mas a receita ficou 12% abaixo do valor arrecadado em fevereiro em 98.
O aumento, de acordo com a Funcex, deve-se ao crescimento de 15,8% nas vendas de produtos manufaturados e básicos. "No caso dos manufaturados, este crescimento é resultado de uma base de comparação muito baixa", alerta o boletim. "As exportações deste tipo de produto registraram em janeiro seu mais baixo valor deste maio de 1993".
De acordo com o Boletim de Comércio Exterior, o ganho de competitividade dos produtos brasileiros só vai acontecer nas exportações a médio prazo. A incerteza sobre o equilíbrio do valor do real em relação ao dólar e quanto aos financiamentos vão continuar a afetar a venda de produtos manufaturados. Outro fator a ser levado em conta é a queda dos preços das exportações, reforçada pela desvalorização do real, lembra o instituto. O índice de preços das exportações em fevereiro caiu em 2,6%, em comparação com janeiro, e 11,8%, na comparação com fevereiro de 1998.
Importações - As importações caíram em fevereiro, segundo análise da fundação. A queda foi de 18,2% em relação a janeiro. Nos dois primeiros meses do ano, a redução chegou a 19 1%. O valor importado de bens de consumo duráveis e não-duráveis caiu, respectivamente, 43,3% e 28%, em relação a janeiro. Na comparação com fevereiro de 1998, o valor dos bens de consumo importados duráveis teve queda de 57,8%, e não-duráveis, de 25 7%.
O volume de mercadoria importada teve queda de 24,3%, na comparação entre fevereiro deste ano com o mesmo mês do ano passado. No caso dos bens de consumo duráveis e não-duráveis, a redução da quantidade foi de 60,7% e 30,7%, o que trouxe este indicador de volta aos mesmos níveis de 1995.

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