Brasília, 10 (AE) - A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) vai determinar o recolhimento de 800 mil doses do lote de 1,8 milhão da vacina contra a febre amarela, suspeita de ter causado a morte de Katy Cristina Ramos, de 22 anos, moradora de Americana, interior de São Paulo. Ela morreu em 27 de fevereiro, dias após tomar a vacina. Um laudo do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, confirmou a existência de vírus vacinal nas vísceras da paciente.
O lote da vacina, que é produzida pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, foi distribuído para São Paulo e outros Estados onde vinham sendo realizadas campanhas de prevenção da febre amarela. A Funasa estima que mais de 1 milhão de doses deste lote já tenham sido aplicadas. De acordo com a assessoria de Imprensa do órgão, até o início da noite a fundação não havia sido informada oficialmente do laudo do Adolfo Lutz. Apesar disso, a Funasa enviou hoje para a capital paulista dois especialistas para apurar as causas da morte de Katy Cristina Ramos.
Um desses técnicos Jarbas Barbosa Júnior, diretor do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), da fundação, reuniu-se com o secretário estadual de Saúde, José da Silva Guedes, para tratar da questão. Para averiguar se, de fato, a vacina foi a causa da morte da paciente, a Funasa vai fazer um inquérito epidemiológico completo na região de Americana e Campinas, onde a moça circulou antes de morrer. O trabalho envolve, entre outras medidas, a coleta de amostras da paciente, procura pelo mosquito transmissor da doença e análise laboratorial de resíduos da vacina.
Nesse último caso, as amostras serão analisadas pelo Instituto Envandro Chagas, de Belém (PA), e Laboratório de Biologia Molecular da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Além desses procedimentos, a Funasa fará ainda uma série de outros testes e o sequenciamento genético viral das amostras colhidas da paciente. Esses testes têm a finalidade de confirmar ou não a existência do vírus da febre amarela. Os exames do Adolfo Lutz revelaram, entretanto, que Katy não apresentava nenhuma patologia anterior à vacina. A literatura médica não registrou até hoje nenhum outro caso semelhante no mundo.

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