Funasa vai determinar recolhimento de lotes A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) vai determinar o recolhimento de 800 mil doses do lote de 1,8 milhão da vacina contra a febre amarela, suspeita de ter causado a morte de Katy Cristina Ramos. O lote da vacina, que é produzida pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, foi distribuído para São Paulo e outros Estados onde vinham sendo realizadas campanhas de prevenção da febre amarela. A Funasa estima que mais de 1 milhão de doses deste lote já tenham sido aplicadas. A Divisão Regional de Saúde (DIR) de Campinas também decidiu realizar uma série de análises para esclarecer se o aumento inesperado de casos de meningite viral, registrados na cidade nos últimos dias estaria relacionado à vacinação em massa contra a febre amarela realizada no mês passado. Segundo dados oficiais do órgão, foram registrados 80 casos da doença nos meses de janeiro e fevereiro. Esse número corresponde a um aumento de 20% em relação ao mesmo período de anos anteriores. ‘‘Existe uma evidente relação temporal entre a doença e a vacinação’’, disse o diretor da DIR. Segundo ele, vários lotes da vacina usada na região de Campinas serão enviados para o laboratório Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, responsável pela produção das doses. ‘‘Pedimos ao laboratório para fazer uma nova checagem nas vacinas’’, disse. Embora afirme que a nova checagem corresponda apenas a uma ‘‘medida de segurança’’, Ramos diz que não está descartada a possibilidade de o aumento nos casos de meningite estar relacionado a um efeito colateral inesperado da vacinação. ‘‘Como as doses são produzidas com o vírus vivo enfraquecido, há sempre o risco de a toxicidade viral ter ficado acima do normal’’, explica. O caso será analisado por técnicos da Fiocruz e da Secretaria Estadual de Saúde. Além de examinar as vacinas, a DIR também está enviando para o laboratório Adolfo Lutz, em São Paulo, material colhido dos pacientes com meningite. Se as amostras revelarem a presença do vírus da febre amarela, será mais um indício de que os casos de meningite estariam relacionados à vacina. Os resultados, segundo Ramos, deverão ficar prontos em trinta dias. Esta não é a primeira vez que as autoridades de saúde investigam vacinas usadas em campanha de massa na cidade. Em 1996, uma vacinação contra meningite provocou reações inesperadas em milhares de pessoas. Na época, os exames revelaram que as doses apresentavam índice de toxicidade dez vezes maior que o indicado. (A.E.)

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