Agência Estado
De Brasília
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) confirmou ontem a segunda morte provocada por febre amarela de morador de Brasília, a quinta do País neste ano. A vítima é W.C., de 32 anos, morador da cidade-satélite de Guará. Ele morreu anteontem à noite, no Hospital de Doenças Tropicais de Goiânia (GO), onde estava internado desde 31 de janeiro.
W.C teria contraído a doença no município de Niquelândia, em Goiás, onde tem uma fazenda. Segundo a Funasa, do início do ano até agora, foram confirmados 13 casos da doença, notificados 115 casos suspeitos e há 50 sendo investigados.
O estudante Allesson Neres, de 19 anos, foi a primeira pessoa de Brasília a morrer com a doença. Ele contraiu febre amarela no final do ano, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. No local, técnicos da Funasa encontraram dois focos do mosquito Haemagogus, transmissor de febre amarela silvestre. A irmã de Alesson, Márcia, também foi infectada, mas sobreviveu.
Dos casos já confirmados, 11 deles tiveram origem em municípios de Goiás, região endêmica de febre amarela. Segundo a Funasa, cinco são do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, dois do município de Doverlândia e um dos municípios de Goiás Velho, Niquelândia, Cavalcante e Corumbaíba. Os outros dois casos foram registrados em Arraias (TO) e Barra do Garças (MT).
Para evitar o aumento de casos de febre amarela no País, que teve 281 registros entre 1982 e 1997, o presidente da Funasa, Mauro Ricardo Costa, anunciou a intensificação da vacinação nas áreas endências – estados da Região Norte, Centro-Oeste e oeste do Maranhão. ‘‘A nossa meta é vacinar 97% da populações dessas áreas’’, disse Costa.
A Funasa dispõe de um estoque de 60 milhões de doses da vacina, a única forma de prevenção da doença. No ano passado, a Funasa aplicou 14 milhões de doses do imunizante. A média anterior era de 3 milhões de doses por ano. Além disso, a Funasa solicitou à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, que triplique a produção de vacinas contra a febre amarela.
Segundo a Funasa, desde 1998 vem ocorrendo um período de epizootia (epidemias entre os animais) em macacos da Amazônia e do Centro-Oeste e isso tem se refletido no aumento de casos de febre amarela silvestre entre humanos. O macaco é hospedeiro do vírus da febre amarela, que é transmitida pelo mosquito Haemagogus ao picar pessoas que entram na mata. A febre amarela urbana está erradicada no Brasil desde 1942. A Funasa recomenda a quem viajar para as áreas endêmicas que tome a vacina dez dias antes. A vacina está disponível nos postos de saúde.

mockup