Funai vai pedir revisão de decreto
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Agência Folha Brasília 
O novo presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o advogado Sulivan Silvestre Oliveira, tomou posse ontem afirmando que quer rever o decreto 1775/96, que permite aos fazendeiros que ocupem terras indígenas o direito ao contraditório. Temos que buscar a adoção de um mecanismo que assegure a contradição, mas que não bloqueie os processos, como vem acontecendo, afirmou. Oliveira disse que quer resgatar a credibilidade da Funai. Para isso, estuda a possibilidade em entregar um dos cargos do primeiro escalão do órgão a um índio.
Um dos nomes mais cotados, segundo a reportagem apurou, seria o do líder indígena Marcos Terena para a chefia de gabinete. Ele faz parte do grupo de trabalho sobre populações indígenas da Organização da Nações Unidas (ONU).
O novo presidente afirmou também que pretende criar um conselho indigenista, composto por índios, indigenistas, antropólogos e sociólogos. Estou ciente das responsabilidades e das dificuldades, mas quero restaurar o respeito às populações indígenas, declarou. Oliveira afirmou que pretende ficar no cargo até o final do mandato do presidente FHC. Ele disse que não acha que seu cargo seja maldito.
Silvestre afirmou que a Funai vai entrar com um recurso, por intermédio da assistência de acusação, contra a decisão da juíza Sandra De Santis Mello no caso do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos. A Funai e a promotoria afirmam que houve dolo eventual, ou seja, que os rapazes sabiam que o índio poderia morrer e mesmo assim correram o risco.


