Funai tenta libertar pescadores no Xingu
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sexta-feira, 06 de novembro de 1998
Agência Estado 
Uma equipe da presidência da Funai em Brasília chegou ontem à tarde de avião ao Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, para negociar a libertação dos oito pescadores amadores tomados como reféns por índios. A equipe da Funai levou alimentos para os reféns, que estariam passando fome por recusar a comida dos índios. Normalmente, os índios do Xingu se alimentam de peixes e de carne de macaco.
Um relatório feito pelos índios revelou que a prisão dos pescadores ocorreu às 16 horas da sexta-feira da semana passada, e não no domingo, como a Funai divulgou no início. O Parque Indígena do Xingu tem índios das etnias caiabi, suruí e juruna. Eles denunciaram que as prisões ocorreram como recurso extremado para conter as invasões, a pesca e a caça predatória nos rios da reserva e entorno. As invasões, segundo eles, têm sido denunciadas às autoridades do governo e prefeituras da região, que não estariam tomando providências.
Os pescadores, todos moradores das cidades de União do Sul e Cláudia (próximas à reserva), afirmaram à Funai que entraram por engano no rio Arraias, dentro da reserva. Estão sendo mantidos como reféns: o presidente da Câmara de Vereadores de União do Sul, Luiz Veni, o médico Adão Graciano Dal Moro, o madeireiro Rosendo Araújo Neto, o marceneiro Vilson Gutjahr, o motorista Marcos Gutjahr, o tratorista Marino Mas e os estudantes Fábio Dotto Dalmaso, 17 anos, e Leandro Gutjahr dos Santos, 15 anos. Os dois últimos, por serem menores de idade, poderiam ser liberados pelos índios ainda ontem, segundo as lideranças indígenas.


