Funai presta homenagem e líderes indígenas desabafam
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de abril de 2005
Keite Camacho<br>Repórter da Agência Brasil 
Brasília, DF- Na véspera do Dia do Índio, que é comemorado hoje, a sabedoria dos povos está sendo reconhecida pelo homem branco por meio da homenagem que a Fundação Nacional do Índio (Funai) fez ontem aos 24 líderes indígenas mais antigos do país. Na comemoração, no auditório da Funai, os índios assistiram ao filme Viagem pela Amazônia Com o Marechal Rondon. Depois, no almoço, degustaram comidas típicas desses povos.
À tarde, foram recebidos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti. De acordo com Antão Rumori, da etnia xavante, entre as reivindicações estão o pedido por maior respeito ao índio, por meio da demarcação de terras, e mais atenção do governo com a questão da saúde. Rumori acrescentou que os povos pedem que a Funai volte a gerir e aplicar os recursos da saúde no lugar da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), que assumiu a gestão em 1998.
Segundo Rumori, há irregularidades na gestão pelo órgão. O presidente da Funai, Mercio Pereira Gomes, disse que a fundação está trabalhando em prol do que estabelece a política indígena do governo, por meio dos cinco pontos: terra, saúde, educação, desenvolvimento étnico e participação dos índios.
Em um desabafo, durante a homenagem da Funai, Lázaro Gonzaga de Souza, da etnia Kiriri (Bahia), disse que o índio ainda sente as consequências da chegada do homem branco ao Brasil. ''O índio fala que está comemorando, mas a gente não tem nada a comemorar desde que o homem branco pisou na nossa terra. Pisou tão forte e tão doído que ainda hoje sentimos''.
Gonzaga reclamou que falta saúde e educação, bem como terra suficiente. ''A gente só pode comemorar quando tem acesso à morada, à saúde e à educação. Então eu sei que temos um plano de lazer'', disse.
Outro que reivindica saúde, educação e a demarcação de terras é o cacique Manoel Eduardo Cruz, da etnia tuxá. ''Queremos saúde, educação, demarcação de terras para tirar os brancos das terras, para ter mais espaço para a produção, porque a população está crescendo e a produção está diminuindo'', afirmou.
Os caciques se reuniram ontem para elaborar um documento com as suas reivindicações, a ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva hoje.


