A Fundação Nacional do Índio (Funai) requisitou ontem a proteção de 50 agentes da Polícia Federal para realizar serviços demarcatórios de ampliação da área indígena de Panambizinho, a 200 quilômetros de Campo Grande (MS). Segundo o presidente da Funai, Sulivan Silvestre, fazendeiros armados estão bloqueando, há duas semanas, a estrada de acesso à área indígena para impedir a entrada de funcionários da Funai e de uma empresa de topografia.
Eles iriam demarcar a área indígena, com a proteção de cinco agentes da Polícia Federal. Mas, por causa do bloqueio da estrada, eles desistiram para evitar confronto com os fazendeiros. A ampliação da área Panambizinho atingirá terras ocupadas por 38 fazendeiros desde a década de 40. Eles possuem títulos de colonização concedidos pelo então presidente Getúlio Vargas.
Silvestre disse que orientou os fazendeiros a recorrerem à Justiça contra a ampliação da área, em vez de tentarem impedir a demarcação. ‘‘Faremos tudo para evitar derramamento de sangue, mas a Funai tem de cumprir sua missão constitucional’’, afirmou Silvestre, que aguarda uma resposta do diretor da Polícia Federal, Vicente Chelotti, sobre o envio dos 50 agentes.
A área de Panambizinho será ampliada de 60 hectares para 1.240 hectares para atender a comunidade de 260 índios guarani-caiuás. As tribos caiuás do Estado registram o maior número de suicídios entre os grupos indígenas do País - cerca de 250 índios se suicidaram desde 1986. Segundo a Funai, os índios do Mato Grosso do Sul vivem em áreas pequenas. Há no Estado cerca de 31 mil índios de várias etnias para 27 mil hectares demarcados. Isso pode estar contribuindo para o aumento dos suicídios. Cada índio em Mato Grosso do Sul tem direito a área correspondente a quase dois campos de futebol, o que é considerado extremamente reduzido para comunidades indígenas.

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