Funai negocia uma das áreas com o proprietário
Funai negocia
uma das áreas com
o proprietário
Há um ano, os guaranis e kaiowás mudaram seus hábitos pacíficos e iniciaram processos de invasão de terras no Mato Grosso do Sul. Dispostos a recuperar áreas que consideram suas, passaram a ocupar várias fazendas nas regiões de Dourados e Ponta Porã, no Sul do Estado. Só em 98, em apenas três meses, foram duas invasões.
A maior ocupação aconteceu no final de abril deste ano e dura até hoje. Mil e duzentos índios tomaram conta de uma área de nove mil hectares, no município de Juti, e garantem que só saem do local mortos.
Os índios estão acampados na Fazenda Brasília do Sul, área que afirmam ser propriedade indígena. Eles contam que viviam neste lugar, onde há até um cemitério indígena, e foram expulsos por fazendeiros em 1953. Armados com arco e flecha, machados, revólveres e espingardas, os índios prometem resistir e combater qualquer tentativa de despejo.
A Funai tenta solucionar o problema e está em negociação com o proprietário da fazenda, Jacinto Honoro Neto, de São Paulo, para a compra das terras. Mas o chefe do Núcleo de Apoio ao Índio, Elias Oliveira, alega que a fundação não tem dinheiro.
As invasões de terras pelos guaranis e kaiowás começaram a ser frequentes a partir de outubro do ano passado antes disso, foram registrados somente pequenos casos isolados, como o ocorrido numa área de 500 hectares do município de Maracaju, em 1997. A primeira grande invasão aconteceu na Fazenda Paraná, propriedade do Banco do Brasil, em Ponta Porã.
Os índios ocuparam uma área de 2,5 mil hectares. Dois meses depois, em dezembro, montaram acampamento na Fazenda Fronteira, município de Antonio João. A área invadida foi de 15 mil hectares, pertencente a Selma Queiroz da Silva, irmã do prefeito da cidade. No começo deste ano, foi ocupada outra fazenda de Ponta Porã, a Pito Aceso. Em abril, os índios invadiram a Fazenda Brasília do Sul, onde permanecem em pé de guerra. A mais recente invasão ocorreu no final do mês passado, na Fazenda São Sebastião, município de Sete Quedas, e já dura quase 20 dias.
Como a ocupação de terras não faz parte da cultura indígena, a Funai decidiu investigar a interferência de uma possível ação organizada, que estaria aliciando e incitando índios a invadirem terras na região de Dourados. Sem dar nome aos bois, o chefe do posto da Funai na Reserva Indígena de Dourados, Alexandre Croner de Abreu, levantou a suspeita de que as ocupações podem estar sendo patrocinadas por brancos e algumas entidades. O caso já chegou à presidência da Funai, em Brasília. (P.S.M., A.C. e O.S.)





