Rio Branco, 25 (AE) - A Fundação Nacional do Índio (Funai) anunciou hoje a localização de duas novas tribos indígenas no Acre. Sertanistas que sobrevoaram a região do rio Shanane, no município de Feijó, a 300 kms de Rio Branco, observaram malocas (casas) e índios diferentes dos existentes nas aldeias conhecidas e isoladas do Estado, distante cerca de cem quilômetros uma da outra.
Funai enviou uma equipe de exploração terrestre ao local mas evitará contato. Segundo o sertanista José áureo de Melo, que partiu para o Posto Alto Envira, principal frente de observação da Funai na região, a população das duas aldeias pode chegar a duas mil pessoas."De acordo com os relatórios, os índios observados têm maloca e tipo físico diferentes", informou Francisco Ednaldo, servidor da Funai. "Na primeira observação estavam pintados como que para a guerra mas não se mostraram agressivos."
As primeiras malocas foram encontradas a dez dias de barco de Feijó pelo rio Envira. O cacique Sebastião Manchinery, superintendente-adjunto da Funai, acredita, com base em relato de índios mais velhos, na existência de outras tribos desconhecidas na mesma área. As duas primeiras tribos, localizadas há dois anos, costumam promover ataques a seringueiros e pescadores. Três pessoas morreram nos últimos anos nos seringais na divisa com o Peru, vítimas da violência dos arredios. Segundo os indigenistas, esses grupos podem ser Masko ou Jaminawá, que passam o ano subindo e descendo os rios, conforme a estação.

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