Brasília, 27 (AE) - A Fundação Nacional do Índio (Funai) identificou um surto de tuberculose nas aldeias Caiapó, no norte do Mato Grosso. Dos 670 índios examinados neste mês, 37 apresentaram a doença, índice considerado muito alto pelos profissionais de saúde. Alguns índios já morreram, mas a Funai ainda não sabe quantos.
"Morrem principalmente idosos e crianças", disse o médico Oswaldo Cid, que está respondendo pelo Departamento de Saúde da Funai. De acordo com ele, o número de mortes poderá crescer, pois "não há dinheiro e nem recursos humanos suficientes". A Funai tem apenas 32 médicos, mas só nove trabalham diretamente com os índios nas aldeias.
As causas para tantos índios contaminados com tuberculose ainda não foram levantadas pelas autoridades. Oswaldo Cid disse que os Caiapós são índios que têm caça e pesca farta, não têm problemas de nutrição e não há motivo aparente para tantos casos. Cid está preocupado com outras nações indígenas no Mato Grosso e no Pará, onde há muitos casos de subnutrição, como entre os Xavantes, que também serão examinados assim que estiver concluído o trabalho com os 1.200 caiapó.
O trabalho está sendo feito com ajuda da Força Aérea Brasileira (FAB), que cedeu dois aviões e dois helicópteros para a ação de emergência para socorrer os índios com tuberculose. Muitos índios são transportados por até 400 quilômetros para receber tratamento, informou Cid.

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