Funai exige saída de índios para negociar demarcação
Agência Estado
O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Sullivan de Oliveira, exigiu ontem a retirada dos índios que invadiram anteontem a propriedade da Aracruz Celulose, em Aracruz, no norte do Espírito Santo, para começar a negociar a expansão da reserva indígena no município. A condição de Oliveira foi apresentada aos índios em reunião na aldeia de Irajá, uma das que abrigam os 1,4 mil tupiniquins e guaranis que vivem na reserva de 4,4 mil hectares da Funai em Aracruz.
A resposta dos índios ao pedido só vai ser conhecida hoje, em nova reunião de Oliveira com as lideranças na sede da Procuradoria da República, em Vitória. Existe disposição do governo para negociar, mas a condição inicial é a saída da área, afirmou o presidente da Funai. Na reunião, os índios também recuaram na área pedida para expandir a reserva - em vez dos 13,5 mil iniciais, agora eles reivindicam mais 7,5 mil hectares.
O presidente da Funai anunciou que vai determinar a saída de militantes sem-terra e sindicalistas do Espírito Santo, que apóiam a ocupação, da reserva indígena - território do governo federal no qual só se pode entrar com autorização da Funai. Oliveira acusou as entidades de incentivarem o ato com propósitos políticos.
Não vamos admitir índios com bandeiras e bonés do MST, porque temos dezenas de terras indígenas ocupadas por posseiros e sem-terras, nas quais eles se recusam a sair, reclamou o presidente da Funai. Ele afirmou que, durante a reunião, os índios não conseguiam se entender sobre quanta terra a mais eles queriam - fato que, para Oliveira, prova que o ato é mais político do que expressão autêntica da comunidade indígena.
O dirigente do MST no Espírito Santo José Brito Ribeiro já havia refutado antes as acusações da Funai. Segundo Ribeiro, o movimento não tem intenção de invadir áreas dos índios no Estado e dá apoio aos tupiniquins e guaranis somente por solidariedade.
A participação dos sem-terra fez com que a Justiça de Aracruz pudesse determinar ontem a reintegração de posse do terreno ocupado. A sentença não seria possível se a questão envolvesse apenas índios. Neste caso, o conflito ficaria apenas na alçada da Justiça Federal - que já deu liminar determinando a retirada dos tupiniquins e guaranis da propriedade da Aracruz.





