Campo Grande, 27 (AE) - O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Frederico Marés Filho, disse hoje que o Estado do Mato Grosso do Sul tranformou-se em prioridade máxima do órgão. Segundo ele, o Estado possui a segunda maior população indígena do País e é onde há mais conflitos entre índios e brancos. "Nós vamos acabar com essa triste situação", afirmou.
Ele esteve reunido com o governador José Orcirio dos Santos (PT) acertando acordos para um trabalho em conjunto do governo do Estado e Funai. O governador prometeu fornecer óleo diesel, sementes, assistência técnica rural, consertar os tratores avariados e colaborar na demarcação das áreas indígenas.
Segundo Frederico Marés, este ano começarão a ser investidos US$ 10 milhões nas aldeias indígenas instaladas na região pantaneira. São US$ 4 milhões em saneamento básico e água potável, além de mais US$ 6 milhões em atividades produtivas, num prazo de cinco anos consecutivos. O dinheiro faz parte do Projeto Pantanal, que prevê liberação de US$ 200 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento até setembro próximo.
Imediatamente serão desenvolvidos programas de recuperação de áreas agrícolas degradadas e incentivo para plantações de erva-mate nas aldeias. A questão mais grave ,que é o "processo cruel de confinamento dos índios nas aldeias"como disse o governador, está sendo resolvida na medida em que os grupos de trabalho concluem o levantamento de novas áreas indígenas.
Frederico reconheceu que os índios estão "espremidos" em suas aldeias, citando como exemplo os indígenas no município de Anastácio, no Pantanal, que vivem em apenas seis hectares e são quase 200 pessoas. Lamentou o estado em que se encontram os Terenas, devido a falta de terra. São cerca de 25 mil índios terenas vivendo em apenas 18 mil hectares.
A situação não é diferente com os guaranis-kaiowás, que habitam a região sul do MS. É onde está o maior foco de conflitos entre índios e brancos que disputam terras. Na aldeia de Dourados, por exemplo, vivem sete mil guarani-kaiowás em pouco mais de quatro mil hectares de área. O local é marcado por sucessivos suicídios de índios, cometidos por enforcamento ou uso de venenos.
Frederico informou também que este ano destinará uma verba de R$ 4 milhões ou R$ 8 milhões, dependendo ainda da aprovação do orçamento da União, para a regulamentação fundiária de áreas indígenas, sendo que a maior parte será aplicada no MS. "Isso corresponde de 5 a 10% das necessidades da Funai", observou. Depois lembrou que estão previstos para este ano R$ 47 milhões para o orçamento anual da Funai, que serão gastos pelo órgão que cuida de 220 tribos no País.

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