Funai convoca reunião
com líderes de aldeias
A regional da Funai em Dourados convocou ontem uma reunião de urgência com os líderes de sete aldeias que estão sob sua jurisdição e onde vivem pouco mais de 14 mil índios guaranis e kaiowás. ‘‘Estamos pedindo uma pouco mais de paciência e calma aos índios, para evitar o agravamento do conflito que ameaça se alastrar por todo o Estado’’, justificou Wilson Matos, diretor do Núcleo de Apoio ao Índio, da Funai.
Os suicídios e as tentativas recentes de suicídio excitaram os ânimos já exaltados dos índios que estão em pé-de-guerra em diversas regiões do Mato Grosso do Sul. Nos próximos dias (eles não anunciam antecipadamente a data) 250 líderes indígenas de todas as aldeias guaranis e kaiowás do Estado se reunirão em uma Aty-Guassu (Grande Assembléia), representação máxima dos índigenas, para decidir se invadem ou não 1.180 hectares de terras ocupadas por colonos, desde a década de 40, no Distrito de Panambi, em Dourados. Os líderes indígenas ameaçam invadir a área com 18 mil índios e os colonos estão dispostos a reagir com violência, conforme a Folha antecipou em sua edição de ontem (Primeiro Caderno, páfina 7).
Há um ano, os guaranis e kaiowás mudaram seus hábitos pacíficos e iniciaram processos de invasão de terras no Mato Grosso do Sul. Dispostos a recuperar áreas que consideram suas, passaram a ocupar várias fazendas nas regiões de Dourados e Ponta Porã, no Sul do Estado. Só em 98, em apenas três meses, foram duas invasões. A maior ocupação aconteceu no final de abril deste ano e dura até hoje. Mil e duzentos índios tomaram conta de uma área de nove mil hectares, no município de Juti, e garantem que só saem do local mortos.
Ao todo, nos últimos meses, foram invadidos quase 30 mil hectares de terras, em quatro ocupações. Como a ocupação de terras não faz parte da cultura indígena, a Funai investiga a interferência de uma possível ação organizada, que estaria aliciando e incitando índios a invadirem terras. As lideranças indígenas contestam esta versão. ‘‘Os índios já não aguentam mais esperar por uma solução que nunca vem’’, diz o cacique Adolfinho Nelson, 67 anos, da Reserva de Amambai, a mais respeitada liderança guarani e kaiowá do Mato Grosso do Sul. (P.S.M.)

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