Fumo vai matar 32 mil pessoas em 99
Agência Estado
Do Rio
O cigarro deverá matar cerca de 32 mil brasileiros até o fim do ano. Segundo levantamento de incidência e mortalidade do Instituto Nacional do Câncer (Inca), 30% dos 104.200 pessoas que deverão morrer de câncer no País até dezembro são fumantes. O fumo no Brasil já se tornou uma epidemia, afirma o pneumologista Ricardo Meirelles, coordenador nacional de controle de tabagismo, do Inca.
O tema será debatido pelo médico durante o 1º Simpósio Internacional sobre Tabagismo, que começa hoje, no Rio. Meirelles explica que dos seis tipos de câncer que mais causam mortes no Brasil, metade deles (pulmão, colo de útero e esôfago) tem o cigarro como um dos seus fatores de risco.
O pneumologista cita como exemplo o câncer de pulmão: 90% dos casos registrados tem o fumo como principal fator de origem. Esse ano, o Inca calcula que aproximadamente 13 mil pessoas deverão morrer em consequência da doença.
Apenas 13% dos pacientes que forem acometidos por esse tipo de câncer estarão vivos cinco anos após o diagnóstico. O risco para câncer de boca, laringe e do esôfago chega a ser, respectivamente, 30, 20 e 10 vezes maior para os fumantes. No total, o cigarro está ligado às origens de tumores malignos em oito órgãos - pâncreas, rins, bexiga, além dos já citados.
Além do envelhecimento da população, o principal fator isolado de desenvolvimento do câncer é o tabaco. Diretor do Centro Internacional de Política de Saúde Mental e Pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS), o psiquiatra Jorge Alberto Costa e Silva alerta que 95% das pessoas que começam a fumar antes dos 20 anos tornam-se dependentes. Em relação ao álcool, por exemplo, essa porcentagem é de 12% e a cocaína, 50%.
Atualmente, segundo dados da OMS, existem no mundo 1,2 bilhão de dependentes de nicotina - o que representa um terço da população adulta do planeta.
O número de óbitos por tabaco é de 3 milhões de pessoas por ano. Se a atual tendência de consumo não for revertida, a OMS estima que, a partir de 2000, o fumo será responsável por 10 milhões de mortes por ano - dos quais 70% em países em desenvolvimento. No Brasil, os dados oficiais são muito defasados. O Ministério da Saúde e o próprio Inca trabalham com informações levantadas em 1989, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Naquela época, havia no País 30,6 milhões de fumantes, dos quais 31.946 eram crianças de 5 a 9 anos; 396.767, de 10 a 14 anos; e 2.341.151, adolescentes entre 15 e 19 anos.





