Fumo passivo faz sete vítimas por dia
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Sete brasileiros. Este é o número de pessoas que morrem por dia no País, vítimas de doenças provocadas pelo tabaco. A média não diz respeito a fumantes ativos, como poderia se pensar, mas sim pela exposição passiva à fumaça do tabaco. O número faz parte de uma pesquisa realizada e divulgada ontem no Rio de Janeiro pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e pelo Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo a pesquisa, pelo menos 2.655 pessoas morrem no Brasil por ano vitimadas pelas três principais doenças relacionadas ao fumo: câncer de pulmão, doenças isquêmicas do coração (como infarto) e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Nenhuma das vítimas acompanhadas pela pesquisa fumava.
As mulheres não-fumantes são as que mais sofrem. Cerca de 60,3% das mortes foram de mulheres. O óbito entre elas é 1,3 a 3 vezes maior que entre os homens. Das 2.655 mortes registradas, 1.601 foram mulheres. Pela faixa etária, registrou-se, em ambos os sexos, mais falecimentos entre pessoas acima de 65 anos.
De cada mil mortes por doenças cérebro-vasculares, 29 podem ser atribuídas ao fumo passivo. No caso de doenças isquêmicas, em cada mil mortes, a proporção é de 25. Sempre causada pela fumaça inalada involuntariamente. Em relação ao câncer de pulmão, sete mortes, em cada mil, são causadas pelo tabaco.
Segundo material divulgado pelo Inca, o fumo passivo é a terceira maior causa da chamada morte evitável. Só perde para o tabagismo e o consumo exagerado de álcool. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), só a proibição total do ato de fumar em recintos comuns a várias pessoas pode ser uma solução para proteger quem não fuma de quem fuma. Estima-se que quem não é fumante e trabalha em um local onde é permitido fumar, tenha respirado uma fumaça que equivale a dez cigarros. Esse número aumenta o risco de infarto e câncer de pulmão.
A pesquisa do Inca foi realizada com pessoas que nunca fumaram mas que moravam com pelo menos um fumante na mesma residência. A faixa etária dos pesquisados era de 35 anos ou mais. Fumantes e ex-fumantes não foram considerados. Foram acompanhados 23.457 indivíduos em 10.172 residências diferentes.
Proibição
Em Curitiba, a proibição do fumo em lugares fechados tem gerado polêmica. Um projeto de lei antitabagista proposto pela vereadora Nely Almeida (PSDB) visa a proibição total do uso do tabaco em locais fechados. A proposta tem a intenção de amenizar o problema tido como questão de saúde pública. O projeto da vereadora prevê multa para os infratores. Os reincidentes podem ter o alvará de funcionamento cassado. Donos de bares e restaurantes são contra e defendem a criação de áreas para fumantes.


