Fumo faz mal para a saúde e para economia, diz OMS
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sexta-feira, 28 de maio de 2004
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra- Fumar não faz mal apenas à saúde, mas para a economia de todo um país. Essa é a mensagem que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tentará passar à comunidade internacional para marcar o Dia Mundial sem Tabaco, no dia 31. Segundo a entidade, um dos problemas no combate ao cigarro ainda é o preço relativamente baixo cobrado pelo produto em muitos países, o que não estaria ajudando a inibir o consumo.
No Brasil, por exemplo, um cidadão precisa de apenas 18 minutos de trabalho para ganhar o suficiente para comprar um pacote de cigarros. Para comprar um quilo de pão, porém, esse mesmo cidadão precisaria trabalhar quase três vezes mais.
Neste ano, a agência de Sa© úde da ONU optou por realizar parte de seus eventos internacionais sobre o combate ao tabaco no Brasil e em colaboração com o Ministério da Saúde. Ironicamente, a entidade ligada à ONU escolheu um país que ainda não ratificou o tratado de controle contra o tabaco. O acordo, que já tem 16 ratificações, foi negociado em Genebra e, em sua fase inicial, foi presidido pelo atual chanceler brasileiro, Celso Amorim. Para que entre em vigor, precisa de 40 ratificações.
Para 2004, o objetivo da OMS é o de desmistificar eventuais benefícios econômicos trazidos pela indústria do cigarro. Em estudos apresentados em Genebra, a entidade mostra que existe um círculo vicioso entre a pobreza e o fumo. Tanto em países ricos como em economias em desenvolvimento, é a porção mais pobre da população que fuma mais. As avaliações ainda mostram que pessoas com menor nível de educação estão entre as que mais fumam.
A OMS também apresenta estudos que provam que, em muitos países, fumantes deixam de usar seu dinheiro para necessidades básicas para comprar cigarros.
Para a OMS, quem de fato ganha com o cigarro são as grandes multinacionais, que acumularam US$ 121 bilhões em lucros em 2002.
Pelas estimativas da entidade, existem hoje 1,3 bilhão de fumantes e, em 2025, o número chegaria a 1,7 bilhão se nada fosse feito. Mas se as medidas de controle do cigarro derem resultados, as estimativas mais positivas da OMS confirmam que 1,45 bilhão de pessoas ainda estariam fumando, um mercado ainda maior que o de hoje para o setor.
Mas os problemas econômicos relacionados ao cigarro não se limitam a famílias ou indivíduos. Países inteiros perdem com o fumo.
Entre 1995 e 1999, US$ 157 bilhões foram gastos nos Estados Unidos para tratar de problemas gerados pelo cigarro. No Brasil, foi constatado que 48% dos produtores de fumo em certas regiões acabam sofrendo problemas de saúde por causa do contato com os pesticidas utilizados no cultivo.


